domingo, abril 30, 2006

Fotografia


Nunca tive máquina fotográfica , se bati alguma foto, foi utilizando o equipamento de alguém e, a pedido.Mas gosto de observar a expressão dos rostos retratados, pois são momentos únicos!

- Ah! - mas todos os momentos são assim, singulares. A diferença é que na vida real eles passam e, nas fotos , ficam registrados para sempre: o nascimento do bebê, o batizado, a primeira comunhão, a festa de 15 anos, a formatura, as férias na praia, o lual, a balada, o passeio com o namorado, o casamento, as bodas de ouro, etc.

Há tanta magia em uma fotografia! As imagens verbalizam com muita eloqüência momentos inesquecíveis!

E quem disse que a felicidade não sai em fotografia? Sai sim!

Ela está lá, estampada nos rostos , nas fisionomias eternas, pois nelas a felicidade é perene.

Há dias, conversando com um amigo, pela internet, notei que a foto no canto direito do messenger estava diferente. Era atual, mas muito distinta das outras que eu já tinha visto. Havia em seu semblante um brilho, uma luz que não a solar, contudo bem mais luminosa, intensa. A luz vinha da alma!

Perguntei o que estava acontecendo. Ele respondeu que estava amando como nunca havia amado em toda a sua vida. Disse-lhe que este amor estava resplandecendo em seu rosto e que ficava muito feliz por ele.

Cinquentão, charmoso, profissional ético, ser humano fantástico, um amigo de muitos anos, foi agradável observar que uma mudança tão intensa em sua vida estava se refletindo em uma fotografia. Emocionei-me mesmo e vibrei com sua felicidade! Senti-me respingada por essa energia tão boa.

Você já olhou com atenção aquele álbum de família que a vovó guarda com tanto carinho? As fotos em branco e preto? Observe- as, decifre todos os sinais que estão registrados nelas! Decodifique as expressões, os sorrisos, os olhares! Faça isso e depois me conte o que encontrou! Ou não me conte! Mas descubra você mesmo quantas coisas uma fotografia pode nos contar!

Novo Curso de Formação para Homens


OBJETIVO PEDAGÓGICO:

Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência (o cérebro).

SÃO 4 MÓDULOS.


Módulo 1: Curso (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mamãe (2.000 horas)
2. Minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que não se classificar para o Mundial não é a MORTE (500 hs)


Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas (500 hs)
3. Superar a síndrome do "o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora do vaso (1.000 horas - exercícios práticos em vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 hs)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a um resfriado sem agonizar (450 horas)


Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios práticos)


Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes = os eletrodomésticos (ON/OFF = LIGA/DESLIGA)
2. Nível 2 (avançado = minha primeira sopa instantânea sem queimar a Panela)
3. Exercícios práticos = ferver a água antes de por o macarrão.

CURSOS COMPLEMENTARES:
POR RAZÕES DE DIFICULDADE,

COMPLEXIDADE

E ENTENDIMENTO DOS TEMAS,

OS
CURSOS TERÃO NO MÁXIMO

3 ALUNOS.

1. A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico
Competente para fazer reparos;


2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem
Homossexualidade (práticas em laboratório);


3. Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se
Casado com ela;


4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário?
(biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)


5. Como baixar a tampa do vaso passo a passo (teleconferência);

6. Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases

Intestinais (exercícios de reflexão em dupla);


7. Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação

sem se perderem ou correr o risco de parecer impotentes (testemunhos);


8. O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar
Acabar com a casa;


9. A lavadora de roupas: esse grande mistério!!


10. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão
(exercícios com musicoterapia);


11. A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios
Dirigidos por Mister M);


12. Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou
psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho.

Não percam as inscrições!!!!!!!!!!!

terça-feira, abril 25, 2006

Amo Drummond!


Procura-se um pai - Carlos Drummond de Andrade

O rapaz dirigia seu carro pela Avenida Brasil, rumo ao aeroporto do Galeão, onde ia receber o pai, que voltava do Chile, e eis senão quando...
O resto, imagina-se. Foi naquela noite de fevereiro em que o Rio, mais uma vez, transbordou de seu nome, e a cidade voltou a padecer os desmoronamentos, os desabrigos, as angústias e as mortes injustas de uma enchente. Na rua congestionada, ninguém avançava. Chuva matraqueando, tempo fugindo, todas aquelas pessoas em prisões de lata e vidro, temendo o pior. E o pai que deveria chegar às 20 horas. O pai chegando. O pai chegou? Ele não está familiarizado com esta bagunça em forma de cidade. É idoso. Mora em outro Estado. Como é que o pai sairá desta?
Inútil pensar nessas coisas, porém elas se pensam por si, na cabeça impotente. Nisto se abre, por milagre, um espaço suficiente para manobra, mas em sentido inverso ao do Galeão. O rapaz, menos por iniciativa própria do que por imposição dos motoristas que vinham atrás, aciona o motor, que pega também por milagre. A duras penas, sem saber como, volta para casa. Madrugada alta quando ele chega, mulher e filhos na maior aflição.
- Meu pai?
- Uê, você não trouxe seu pai? Aqui ele não apareceu.
Nem podia aparecer, claro. O Galeão fora do mapa. Que fazer? Os telefones, naturalmente, mudos. O jeito é esperar que a manhã traga serena tranquilidade, com esperança de aeroporto e salvamento. Sem dormir. Quem dorme numa dessas? O rapaz espera os escritórios se abrirem, na manhã ensopada. Corre ao escritório da companhia de aviação:
- Meu pai, o professor X, chegou?
- Bem, o avião chegou, mas sobre seu pai não podemos informar.
- Como não podem? Então sabem que o avião chegou e não sabem quem veio nele?
- É, não sabemos.
De novo, rumo ao Galeão. O trânsito ainda está difícil, porém não impossível. Pelo caminho, trágicos sinais deixados pelo temporal. No Aeroporto, a pergunta continua sem sorte:
- Não sabemos se ele desembarcou ou não.
- E a lista de passageiros?
- Não está conosco.
- Está com quem, então?
- Não sabemos.
Um informante, melhor, um desinformante faz ironia:
- Numa sessão espírita, o senhor encontra seu pai.
- Eu só desejo que um dia o senhor se veja na minha situação, para ouvir isto de alguém, e sentir vontade de fazer com ele o que eu sinto vontade de fazer com o senhor.
- Desculpe, eu...
Mas o filho já demandava outro balcão, fazendo a eterna pergunta, e ninguém sabia dizer-lhe onde estava, se é que estava em algum lugar, o pai vindo do Chile. Chile? A palavra soava diferente, como se contivesse não sei que partícula perigosa. As autoridades sabiam tanto quanto a empresa, isto é, nada.
Classificado no Jornal do Brasil: Perdeu-se um pai na Ilha do Governador. Botar também no rádio. Meu pai, meu pai. Como pôde sumir assim? Aconselham-me a ir à Polícia Marítima e Aérea, na Praça Mauá. Mas daqui não saio sem vasculhar todo o Aeroporto. Ali está uma garota de chapeuzinho verde...
Felizmente para as histórias confusas de hoje, existe moça de chapeuzinho verde, fada ou coisa semelhante, que descobre o perdido e, de bonificação, ainda sorri para a gente. O rapaz expõe-lhe o problema do pai. Pela primeira vez alguém ouvia, considerava e buscava resolver o problema. Ela saiu e voltou, com outro sorriso no rostinho de relações-públicas.
- Seu pai chegou sem novidade. O nome dele está na relação de passageiros desembarcados.
- E para onde o levaram, que não aparece?
- Para lugar nenhum. Deve ter dormido por aí, até o temporal passar.
- Mas não apareceu em casa.
- A essa hora já deve estar lá. Volte e há de encontrá-lo.
Não é que estava? Calmo, contando à nora e aos netos uma noite em banco de aeroporto, resignado, à espera de o toró passar.
Meu pai! Que susto! Que desinformação! Que alívio! Etc. O rapaz lembrou-se de Londres, onde perdera duas pastas num táxi, com passaporte e tudo, e na manhã seguinte a polícia o chamava para receber de volta os objetos recolhidos por um serviço policial que só não resolve o caso de quem perdeu a memória. Tivera vontade de telegrafar para Londres: Procurem meu pai na enchente aqui no Brasil. Felizmente, repito, a moça de chapeuzinho verde, sozinha, valia tanto quanto a Metropolitan Police.

Saudade de Minas!

Almoço Mineiro - Rubem Braga

Éramos dezesseis, incluindo quatro automóveis, uma charrete, três diplomatas, dois jornalistas, um capitão-tenente da Marinha, um tenente-coronel da Força Pública, um empresário do cassino, um prefeito, uma senhora loura e três morenas, dois oficiais de gabinete, uma criança de colo e outra de fita cor-de-rosa que se fazia acompanhar de uma boneca.

Falamos de vários assuntos inconfessáveis. Depois de alguns minutos de debates ficou assentado que Poços de Caldas é uma linda cidade. Também se deliberou, depois de ouvidos vários oradores, que estava um dia muito bonito. A palestra foi decaindo então, para assuntos muitos escabrosos: discutiu-se até política. Depois que uma senhora paulista e outra carioca trocaram idéias a respeito do separatismo, um cavalheiro ergueu um brinde ao Brasil. Logo se levantaram outros, que, infelizmente, não nos foi possível anotar, em vista de estarmos situados na extremidade da mesa. Pelo entusiasmo reinante supomos que foram brindados o soldado desconhecido, as tardes de outono, as flores dos vergéis, os proletários armênios e as pessoas presentes. O certo é que um preto fazia funcionar a sua harmônica, ou talvez a sua concertina, com bastante sentimento. Seu Nhonhô cantou ao violão com a pureza e a operosidade inerentes a um velho funcionário municipal.

Mas nós todos sentíamos, no fundo do coração, que nada tinha importância, nem a Força Pública , nem o violão de seu Nhonhô, nem mesmo as águas sulfurosas. Acima de tudo pairava o divino lombo de porco com tutu de feijão. O lombo era macio e tão suave que todos imaginamos que o seu primitivo dono devia ser um porco extremamente gentil, expoente da mais fina flor da espiritualidade suína. O tutu era um tutu honesto, forte, poderoso, saudável.

É inútil dizer qualquer coisa a respeito dos torresmos. Eram torresmos trigueiros como a doce amada de Salomão, alguns louros, outros mulatos. Uns estavam molinhos, quase simples gordura. Outros eram duros e enroscados, com dois ou três fios.

Havia arroz sem colorau, couve e pão. Sobre a toalha havia também copos cheios de vinho ou de água mineral, sorrisos, manchas de sol e a frescura do vento que sussurrava nas árvores. E no fim de tudo houve fotografias. É possível que nesse intervalo tenhamos esquecido uma encantadora lingüiça de porco e talvez um pouco de farofa. Que importa? O lombo era o essencial, e a sua essência era sublime. Por fora era escuro, com tons de ouro. A faca penetrava nele tão docemente como a alma de uma virgem pura entra no céu. A polpa se abria, levemente enfibrada, muito branquinha, desse branco leitoso e doce que têm certas nuvens às quatro e meia da tarde, na primavera. O gosto era de um salgado distante e de uma ternura quase musical. Era um gosto indefinível e puríssimo, como se o lombo fosse lombinho da orelha de um anjo ouro. Os torresmos davam uma nota marítima, salgados e excitantes da saliva. O tutu tinha o sabor que deve ter, para uma criança que fosse gourmet de todas as terras, a terra virgem recolhida muito longe do solo, sob um prado cheio de flores, terra com um perfume vegetal diluído mas uniforme. E do prato inteiro, onde havia um ameno jogo de cores cuja nota mais viva era o verde molhado da couve — do prato inteiro, que fumegava suavemente, subia para a nossa alma um encanto abençoado de coisas simples e boas.

Era o encanto de Minas.

domingo, abril 23, 2006

O poder da palavra


Quem nunca disse algo que magoou ou ofendeu alguém? Fez um elogio ou agradeceu por um momento de atenção? Convenceu alguém a fazer o que era mais sensato? Declarou o seu amor a alguém?

Criticou!Aconselhou! Dissuadiu! Insistiu! Brigou! Xingou!

Constantemente vivenciamos momentos em que as palavras são fundamentais, necessárias, decisivas ou essenciais, para se resolver situações, buscar soluções, encontrar caminhos, esclarecer, perdoar.Até em um momento íntimo, na hora do prazer, saber se expressar faz grande diferença!

Mesmo assim, o seu interlocutor, as profere sem a devida preocupação com os efeitos colaterais que elas podem provocar, sem uma responsabilidade mínima necessária às suas conseqüências. O orador leviano, não mede os resultados do seu discurso, não percebe que até mesmo quem o pronuncia, corre o risco de se enredar nele.

Escrita ou falada, a palavra, tal como um ‘pharmakon’- droga, em grego - tem efeito dúbio, caso não seja devidamente usada, pode causar um efeito contrário ao esperado.

Gosto de escrever e cultivo este hábito de várias maneiras, uma delas é através de meus blogs. Faço de meu diário virtual uma ferramenta bastante útil para compartilhar emoções e idéias. Porém, sinto cada vez mais o peso da responsabilidade, ao publicar uma mensagem. E depois, ao ler os comentários deixados pelas pessoas este sentimento se multiplica, pois os recadinhos deixados lá, são alegres, carinhosos e estimulantes. Um deles me emocionou particularmente, dizia assim : “Através de pessoas como você é que busco um mundo melhor”.

Considero-me uma pessoa privilegiada, pois no meio em que trabalho é bastante respeitada a minha postura ética.Valorizo muito tal sentimento e sei que a maneira como as pessoas me vêem tem muito a ver com o que falo, o modo como me expresso.Pois as palavras exprimem o que temos dentro do coração, o que sentimos, os valores que carregamos.

Por isso, deve-se sempre avaliar em quais situações é melhor falar ou calar, para que não haja arrependimentos futuros. Como diz aquele provérbio chinês : “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. É isso!


sexta-feira, abril 21, 2006

Preia-mar



As ondas quebram na areia,
dizem segredos perdidos...
Saudades da maré cheia,
de barcos e tempos idos...

Segredos tristes, lamentos,
que o mar não pode calar...
E foi dizê-lo aos ventos,
aos pescadores, ao luar...

As ondas dizem na areia
saudades de tempos idos...
Segredos de maré-cheia,
de barcos tristes
- perdidos...

Daniel Felipe - Cabo Verde

quinta-feira, abril 20, 2006

Para refletir




" Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que
se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite
da exautão.

Doze meses dão para qualquer ser humano cansar e
entregar os pontos.Aí entra o milagre da renovação e
tudo começa outra vez com outro número e outra
vontade de acreditar que daqui para diante vai ser
diferente". Drummond

domingo, abril 16, 2006

Aceitando os paradoxos - Paulo Coelho

"É curioso", comenta o guerreiro da luz consigo. "Encontrei tanta gente que - na primeira oportunidade - tenta mostrar o pior de si. Esconde a força interior atrás da agressividade; disfarça o medo da solidão com o ar de independência. Não acredita na própria capacidade, mas vive pregando aos quatro ventos suas virtudes.”
O guerreiro lê estas mensagens em muitos homens e mulheres que ele conhece. Nunca se deixa enganar pelas aparências, e faz questão de permanecer em silêncio quando tentam impressioná-lo. Mas usa a ocasião para corrigir suas falhas - já que as pessoas são sempre um bom espelho.
Um guerreiro aproveita toda e qualquer oportunidade para ensinar a si mesmo, e admitir suas contradições.


Paciência x Rapidez
Um guerreiro da luz precisa de paciência e rapidez ao mesmo tempo. Os dois maiores erros de uma estratégia são: agir antes da hora, ou deixar que a oportunidade passe longe.
Para evitar isto, o guerreiro trata cada situação como se fosse única, e não aplica fórmulas, receitas, ou opiniões alheias.
O califa Moauiyat perguntou a Omar Ben Al-Aas qual era o segredo de sua grande habilidade política:
“Nunca me meti em assunto sem ter estudado previamente a retirada; por outro lado, nunca entrei e quis logo sair correndo”, foi a resposta.


Perdoar x Aceitar
Um guerreiro da luz sempre mantém o seu coração limpo do sentimento de ódio. Para conseguir isso, precisa perdoar.
Quando caminha para a luta, não esquece as palavras de Cristo: " amai vossos inimigos".
E o guerreiro obedece, mas sempre lembrando que Cristo não disse: “gostai de vossos inimigos”.
O ato de perdoar não o obriga a aceitar tudo. Um guerreiro não pode abaixar a cabeça - senão perde de vista o horizonte de seus sonhos.


Descansar x Agir
No intervalo do combate, o guerreiro descansa.
Muitas vezes passa dias sem fazer nada, porque seu coração exige.
Mas sua intuição permanece alerta. Ele não comete o pecado capital da Preguiça, porque sabe onde ela o pode conduzir: à sensação morna das tardes de domingo, onde o tempo passa - e nada mais.
O guerreiro chama isto de "paz de cemitério". Lembra-se de um trecho do Apocalipse: te amaldiçôo porque não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, eu te vomitarei de minha boca.
Um guerreiro descansa e ri. Mas está sempre atento e pronto para agir.


Anjo x Demônio
Um guerreiro sabe que um anjo e um demônio disputam a mão que segura a espada.
Diz o demônio: "você vai fraquejar. Você não vai saber o momento exato. Você está com medo."
Diz o anjo: "você vai fraquejar. Você não vai saber o momento exato. Você está com medo".
O guerreiro fica surpreso. Ambos disseram a mesma coisa.
Então o demônio continua: "deixa que eu te ajude".
E diz o anjo: "eu te ajudo".
Nesta hora, o guerreiro percebe a diferença. As palavras são as mesmas, mas os aliados são diferentes.
Então ele dedica sua vitória a Deus. E, com a confiança dos valentes, escolhe a mão de seu anjo.


Acreditando em sinais
O guerreiro da luz conhece a importância de sua intuição.
No meio da batalha, ele não tem tempo para pensar nos golpes do inimigo - então usa seu instinto, e obedece ao seu anjo. Nos tempos de paz, ele decifra os sinais que Deus lhe envia.
As pessoas dizem: "está louco".
Ou então: "vive num mundo de fantasia".
Ou ainda:" como pode confiar em coisas que não tem lógica?"
Mas o guerreiro sabe que a intuição é o alfabeto de Deus, e continua escutando o vento e falando com as estrelas.


Acreditando em amor
Para o guerreiro, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silêncio, pela indiferença, ou pela rejeição. Sabe que atrás da máscara de gelo que as pessoas usam, existe um coração de fogo.
Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém - mesmo que isto signifique escutar muitas vezes a palavra "não", voltar para casa derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma.
Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada.


Acreditando em negociação
Um guerreiro da luz nem sempre pode escolher o seu campo de batalha. Às vezes é colhido de surpresa, no meio de combates que não desejava; mas não adianta fugir, porque estes combates o seguirão.
Então, no momento em que o conflito é quase inevitável, o guerreiro conversa com seu adversário. Sem demonstrar medo ou covardia, procura saber porque o outro quer a luta; que coisas o fizeram sair de sua aldeia e procurá-lo para um duelo. Sem desembainhar a espada, o guerreiro o convence que aquele combate não é seu.
Um guerreiro da luz escuta o que seu adversário tem a dizer. E só luta se for necessário.
Mas, se não tiver outra alternativa, ele não pensa em vitória ou derrota: leva o combate até o final.


Acreditando na perseverança
O guerreiro da luz nunca esquece o velho ditado: o bom cabrito não berra.
As injustiças acontecem. Também ele de repente se vê envolvido em situações que não merecia, em momentos que não tem condições de se defender.
Nestas horas, o guerreiro fica em silêncio. Não gasta energia em palavras, porque elas não podem fazer nada; é melhor usar as forças para resistir, ter paciência, e saber que Alguém está olhando. Alguém que viu o sofrimento injusto, e não se conforma com isto.
Este Alguém dá ao guerreiro o que ele mais precisa: tempo. Cedo ou tarde, tudo voltará a trabalhar a seu favor.
Um guerreiro da luz é sábio; Não comenta suas derrotas.


Acreditando na Lenda Pessoal
Um guerreiro da luz assume por inteiro sua Lenda Pessoal – a razão de sua vida. Seus companheiros comentam: "sua fé é admirável!"
O guerreiro fica orgulhoso por alguns momentos, e logo se envergonha do que escutou, porque não tem a fé que demonstra.
Neste momento seu anjo sussura: "você é apenas um instrumento da luz. Não há motivos para vangloriar-se, nem para sentir-se culpado; há motivo apenas para cumprir seu destino".
E o guerreiro da luz, consciente de que é um instrumento, fica mais tranqüilo e seguro.








terça-feira, abril 11, 2006

Cada um por si

Sartre, filósofo existencialista francês, afirma que o homem está condenado a fazer escolhas, a ser responsável por e também pelos outros.Assim, ele nada mais é do que o que faz de si mesmo.

Refletindo sobre o que o filósofo diz, chego a conclusão de que a humanidade precisa conhecer um pouco do que é ser existencialista na visão sartreana.Aprender com ele o senso de responsabilidade que suas idéias pregam.Pois vivemos uma época em que é proibido proibir, em que se confunde liberdade com libertinagem e, numa sociedade onde as pessoas estão cada vez mais ‘livres’ para cuidar do seu próprio umbigo.

Tenho observado principalmente os jovens e me preocupo com eles.São alegres, carinhosos, mas sentem dificuldade em trabalhar com os limites e perderam totalmente o senso do outro.De um modo geral, cada um preocupa-se consigo mesmo.Vejo isso nas pequenas coisas do dia-a-dia, no trânsito, no ônibus , nos locais públicos.

Esse individualismo exacerbado, não está conduzindo ninguém a uma felicidade plena.

Nunca houve tantos meios para comunicar-se , tanta tecnologia, mas as pessoas estão cada vez mais sozinhas.

Embora não aprecie revista feminina, às vezes leio alguma na sala de espera do dentista. E, certa vez , li uma reportagem sobre as razões que levavam os casais a se separar.Os homens, diziam que a convivência diária fez o amor arrefecer.Que ciúme delas era insuportável.E, vários se queixaram da profissão da mulher. Elas como sempre , reclamavam do futebol, da cervejinha, do atraso para o jantar, da rotina no sexo

A maioria concordou que os filhos esfriam a relação.

O que ficou claro naquela reportagem é que cada um entrou na relação buscando algum tipo de vantagem.Isto é, muito mais para receber do que para dar e, quando começaram a ficar no prejuízo, o amor que não era amor, acabou.

Esse individualismo que impregna as pessoas precisa ser revisto, reavaliado e repensado.Não dá para ser feliz quando se olha o próprio umbigo em vez de olhar nos olhos do outro, sem descobrir a alegria de conviver, sem doar-se incondicionalmente enfim, sem ser responsável por si e pelo outro.


segunda-feira, abril 10, 2006

Oui

O primeiro amor virtual a gente nunca esquece - parte III
OUI


Psique: oi
Eros2002: oi
Psique: tudo bem com você?
Eros2002: então a umas horas de seu aniversário?
Psique: você lembrou?
Eros2002: sim
Psique: você é um amor
Eros2002: obrigado, você merece
Psique: meu pc resolveu pifar justo ontem
Eros2002: sim
Eros2002: e ...
Psique: deu um trabalho
Eros2002: e...
Psique: o técnico ficou 2 dias aqui, mexendo em tudo
Eros2002: mexeu onde?
Psique: no pc
Eros2002: ah!
Psique: o que pensou?
Eros2002: nada
Eros2002: e bebeu vinho com você?
Psique: claro que não
Eros2002: ok
Eros2002: ótimo
Psique: agora tenho que fazer minhas configurações pessoais de novo, no Drummond
Psique: não acho a nave espacial azul que estava aqui
Eros2002: vai se configurar com quem?
Psique: as cores, tamanho de letra, papel de parede, etc, etc,
Eros2002: etc?
Psique: sim, amore
Eros2002: e o Drummond morde?
Psique: Dru é o meu pc
Eros2002: ah!
Psique: e você como está?
Eros2002: carente
Psique: telefone para mim
Eros2002: agora não dá
Eros2002: amanhã, você merece...
Psique: então continue carente
Eros2002: obrigado
Psique: vai telefonar pelo meu aniversário?
Eros2002: oui
Psique: de madrugada?
Eros2002: se possível sim, para ouvir a sua voz...
Psique: adoro você!
Eros2002: quero só ver quando for no real
Psique: isso vai acontecer?
Eros2002: nada é impossível
Psique: é verdade
Eros2002: eu penso assim
Psique: mas eu quero saber como está, conte-me...
Eros2002: ando um pouco stressado
Psique: sentiu a minha falta?
Eros2002: sim
Eros2002: e sobretudo da sua voz...
Psique: muito ou só um pouquinho?
Eros2002: muito e um pouquinho também
Psique: como assim?
Eros2002: muito, mais um pouquinho
Psique: ah!
Eros2002: é
Psique: quando quiser ouvir a minha voz , sabe como fazer
Eros2002: e a nossa última conversa foi muito interessante, e acalorada...
Psique: é, me deixou com muito calor...
Eros2002: e gostou?
Psique: só lamento que seja dessa forma
Eros2002: também eu
Psique: você é ótimo!
Eros2002: oui
Psique: aliás quando estou feliz adoro o mundo todo!
Eros2002: ah!
Psique: você já me viu brava?
Eros2002: não
Psique: nem queira
Eros2002: ok
Psique: tem mais alguém on line da nossa turma?
Eros2002: tem dois amigos...
Psique: você demora...
Eros2002: estou lendo mensagens, sua ciumentinha...
Psique:está enganado
Psique: vamos nos
unir a eles?
Eros2002: não me apetece agora
Psique: por quê?

Eros2002: sinto-me cansado e daqui a pouco vou deitar
Psique: já?
Eros2002: daqui a pouco
Psique: gosto de estar com você, bobinho
Eros2002: sim?
Eros2002: e...
Psique: vai me telefonar hoje de madrugada?
Eros2002: sim, já disse, só se me for impossível de tudo
Psique: eu compreendo
Eros2002: e ouvir os seus suspiros matinais misturados.......
Psique: vai falar francês no meu ouvido?
Eros2002: oui!
Psique:humm...
Psique: bobagens?
Eros2002: sim
Psique: é bom, não é?
Eros2002: sim
Psique: às vezes sinto-me só
Eros2002: está comigo aqui
Psique: você tem sido um bom companheiro, mesmo à distância
Eros2002: ótimo
Psique: mas eu estou com vontade de chorar desde cedo
Eros2002: você é forte
Eros2002: e tem aqui um amigo
Eros2002: com vinho ou sem ele...
Psique: tem acontecido muita coisa nesta semana mas, eu sou forte mesmo e isso passa
Eros2002: você também tem sido minha amiga
Eros2002: pense em sexo, esqueça isso...
Psique: SEXO?
Eros2002: oui...
Eros2002: mon amouuuuuuuuurrrrrrrrr
Psique: estou rindo tão alto que o vizinho pode escutar
Eros2002: bom, vou-me deitar
Psique: durma bem, boa noite
Eros2002: e...
Psique: descanse, meu bem
Eros2002: só?
Psique: sonhe comigo
Eros2002: e...
Psique: beijos
Eros2002: onde?
Psique: na boca
Eros2002: para eu sonha melhor...
Psique: quero que imagine que estou deitada com a cabeça em seu ombro e dormindo em seus braços...
Eros2002: sóoooooooooooo???????????
Eros2002: não me quer para mais nada?
Psique: isso é tão bom!
Eros2002: ok
Psique: bem abraçadinha...
Eros2002: e...
Psique: só, assanhado!
Eros2002: e...
Psique: durma bem
Eros2002: e...
Psique: adoro você!
Eros2002: e...
Psique: e.....
Eros2002: quero levar um sonho erótico comigo para dormir sobre ele...
Psique: não, pense em algo bem romântico
Psique: simples e bonito
Eros2002: ok
Psique: como encostar a cabeça em seu peito e dormir
Eros2002: só dormir?
Psique: oui...boa noite...
Eros2002: beijos...boa noite

A arte de amar

Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus — ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

domingo, abril 09, 2006

Pense nisso!



Dentro de você, existem duas teclas poderosas:
delete e arquive...
Use-as com sabedoria!


Delete:
tudo aquilo que não valeu a pena, quem mentiu,
quem enganou seu coração, quem teve inveja,
quem tentou destruir você, quem usou máscaras,
quem nunca chegou a saber exatamente quem você é...


Arquive:
as pessoas reais, ainda que virtuais, que cederam
carinho, tempo, palavras, conselhos, a mão, o coração.
Pessoas que, de um jeito ou de outro, ajudaram você
a ser um pouco melhor.

O Bicho - Manuel Bandeira


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.


Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



domingo, abril 02, 2006

O Bicho


Era domingo, um lindo dia de outono! Eu caminhava sem pressa ou preocupação pelo calçadão da praia.Pensamento solto, como o vento leve naquela tarde deliciosa.

O mundo parecia tranqüilo e feliz.

Mas de repente, vejo uma criança de cócoras, em frente a um restaurante, revirando a lata de lixo! Ela pegava restos de frutas e as colocava em um saco preto. Fiquei chocada! Aquela figura minúscula, agachada, guardando cascas de melão, era dantesca.

Olhei o menino por alguns instantes e o mundo desabou a minha volta. Já não era um lindo final de domingo. Como o mundo poderia ser harmonioso se havia uma criança com fome buscando o que comer em uma lata de lixo?

Educadora, costumo trabalhar com poesia em sala de aula.E, um de meus poetas favoritos é Manuel Bandeira.Seu poema “O Bicho” é um chocante relato da miséria humana. Poema forte, intenso, trata da pobreza humana em sua perspectiva mais triste: a fome! Nele, um homem busca alimento em uma lata de lixo. Mas é um adulto!

E, imaginar uma cena poética é muito diferente de vivencia-la!

A cada dia aumenta o número de crianças que vivem do lixo.Todas as tardes, elas esperam nas calçadas, que os apartamentos coloquem os latões na rua.

A disputa é feroz! Como bichos, avançam sobre os sacos, rasgando e pegando restos de comida, papel, plástico e vidro.

No ano passado, eu tinha um aluno que estudava de manhã e a tarde catava lixo na rua.

Volto para casa me perguntando por onde andará aqueles que são responsáveis pelo cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente? A imprensa que não denuncia tanta miséria e humilhação? O Conselho Tutelar? O Ministério Público? As ONGS? Enfim, todo mundo?

Aí o senso comum começa a latejar em minha cabeça: com uma extensão territorial como a nossa, a natureza tão rica,o futebol,as mulatas,o samba, o café!

E, afinal, Deus é brasileiro!

E ninguém faz nada para tirar essas crianças da rua?

Ah! Já sei, a culpa é do governo!

Então, uma voz emerge da minha consciência :

- E você, está fazendo a sua parte?

Olho para os lados e pergunto:

- É comigo?