terça-feira, dezembro 19, 2006
A festa pagã
O Papai Noel realmente existiu, chamava-se Nicolau de Myra e era um bispo. Diz a lenda que ele era um homem muito rico e que gostava de ajudar as pessoas. Viveu no século IV, na Ásia Menor. A imagem do religioso bonzinho só mudou no século XIX com o surgimento da publicidade natalina. Nessa época a imagem do religioso foi modernizada e substituída pelo Papai Noel que conhecemos hoje: gorducho, com roupas vermelhas e que mora no Pólo Norte. Na década de 30, sua imagem foi usada pela Coca-Cola e fez tanto sucesso, que passou a ser a figura mais popular do Natal. Além das compras, claro.
Hoje, o Natal é símbolo de todos os excessos: o comer de mais, beber sem limites, afundar-se no cartão de crédito, estourar o cheque especial. Sem falar na loucura que é entrar em um supermercado ou andar pelo centro comercial.
Alguém se lembra de Jesus? Aqueles que freqüentam alguma igreja, sim. Mas, a grande massa, ignara e frenética, que compra compulsivamente, só pensa em gastar. O que faz a alegria do comércio e da indústria. Aí, aparece na mídia aquelas campanhas, feitas por gente tão abnegada, recolhendo brinquedos, roupas e alimentos e, que não tem consciência de que estão só inflacionando as vendas, dando grandes lucros aos comerciantes.
Pergunto: se a civilização ocidental não tivesse o hábito de dar presentes, alguma criança ficaria infeliz? A própria sociedade cria vícios, hábitos e depois não é capaz de perceber seus resultados nefastos. E, ironicamente, tenta neutralizá-los com campanhas , ditas fraternais.
O Natal, para a maioria da população, já não é mais usado para lembrar o nascimento de Cristo. Mas sim, para uma frenética e consumista ilusão de fraternidade. Uma verdadeira farra pagã. Voltamos ao começo....
domingo, dezembro 10, 2006
Mergulhar

Eros2002: oi
Psique: oi!
Eros2002: muito apaixonada hoje?
Psique: pela vida, pelos amigos, por Deus.
Eros2002: ai sim, mas o seu poema sugere outra coisa.
Psique: qual?
Eros2002: o da sociedade dos escritores
Psique: já leu Eros?
Eros2002: li e gostei
Psique: eu amo Drummond,
Eros2002: era de Drummond?
Psique: sim, pensou que era meu?
Eros2002: é como se fosse pela forma como o pôs
Psique: tenho vergonha de mostrar os meus poemas
Eros2002: ?
Psique: pois eles são muito simples
Eros2002: que disparate!
Psique: não estou pronta para desnudar meus sentimentos por aí
Eros2002: vai do começar
Psique: começar sempre é difícil
Eros2002: sim
Eros2002: a primeira vez, é como mergulhar em uma piscina
Psique: sim?
Eros2002: primeiro concentro-me e reflito bastante
Eros2002: depois olho a água e mergulho com os olhos fechados, bem fundo...
Eros2002: e depois venho suavemente à tona
Psique: que delícia!
Eros2002: é mesmo
Psique: até senti o que você descreveu!
Eros2002: é bom, não é?
Psique: mas é diferente expor um poema ao público
Eros2002: você precisa dar um bom mergulho também
Eros2002: é a mesma coisa
Eros2002: eu sei que isso é o grande problema de todos nós
Psique: sim?
Eros2002: é dar o primeiro passo
Eros2002: e depois é que vamos realmente começar
Eros2002: foi assim sempre na minha vida
Eros2002: e sempre será, acho.
Psique: quer explicar melhor, por favor, em que pensa?
Eros2002: você pensa que as coisas são difíceis e tem receio
Psique: sim
Eros2002: depois arrisca um pouco e, olha... até que não foi mau
Eros2002: mas de fato ainda está a começar
Eros2002: e tudo irá mudar
Eros2002: mesmo a forma e o estilo de escrever
Eros2002: tudo muda e nada é como quando começou
Psique: você está filosofando!
Eros2002: não propriamente, estou lhe contando um pouco da minha experiência.
Eros2002: da minha vida
Psique: continue
Eros2002: é isto, não tem muito mais.
Psique: e o seu novo trabalho?
Eros2002: estou a preparar-me para mergulhar
Psique: que bom!
Eros2002: vamos ver como vai ser quando eu vier à tona
Psique: estarei aqui, torcendo por você.
Eros2002: vamos lá ver
Psique: vai dar certo!
Eros2002: xau
Psique: xau
quinta-feira, novembro 16, 2006
Dia Nacional da Consciência Negra
Tratando de um aspecto dessa luta, gostaria de apresentar uma pequena reflexão de Maria Querino S. Santos, relacionado com o problema das cotas.
EM DEFESA DAS COTAS
Segundo o Prof. Dr. Kabenguele Munanga, no livro “Educação e Ações Afirmativas”, as chamadas políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia anti-racista. Nos países que foram implantadas (Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, Canadá e Malásia, entre outros), elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens devidas à sua situação de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Daí as terminologias de “equal opportunity policies”, ação afirmativa, ação positiva, discriminação positiva ou políticas compensatórias. Nos Estados Unidos, onde foram aplicadas desde a década de 60, elas pretendem oferecer aos afro-americanos as chances de participar da dinâmica da mobilidade social crescente [...]. Qualquer proposta de mudança em benefício dos excluídos receberia um apoio unânime, sobretudo quando se trata de uma sociedade racista. Nesse sentido, a política de ação afirmativa nos Estados unidos tem seus defensores e seus detratores. Foi graças a ela que se deve o crescimento da classe média afro-americana, que hoje atinge cerca de 3% de sua população, sua representação no Congresso Nacional e nas Assembléias estaduais; mais estudantes nos liceus e nas universidades... A pesar das críticas contra a ação afirmativa, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixam dúvidas sobre as mudanças alcançadas. A questão fundamental que se coloca é como aumentar o continente negro no ensino universitário e superior de modo geral, tirando-o da situação de 2% em que se encontra depois de 114 anos de abolição em relação ao contingente branco que, sozinho, representa 97% de brasileiros universitários.
Assim, tratando-se do Brasil, um país que desde a abolição nunca assumiu seu racismo, condição sine qua non para pensar em políticas de ação afirmativa, os instrumentos devem ser criados pelos caminhos próprios ou pela inspiração dos caminhos trilhados por outros países em situação racial comparável ao Brasil.
FONTE: Educação e ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2003, p. 117-128.
Sobre o Natal
Pro. Renold J. Blank
1. O que o Natal nos revela?
Ao falar de Deus, costumamos identifica-lo com o Onipotente, o Criador do cosmo e o Senhor do céu e da terra. Sim, ele também é isso, mas é infinitamente mais. Nele pode ser encontrada uma verdade tão chocante, que – apesar de todas as celebrações festivas do ano litúrgico – foi muito pouco assimilada pela fé das pessoas. É uma verdade que ultrapassa em muito o nosso conhecimento sobre a onipotência de Deus e a sua inimaginável glória. Na base dessa verdade, há aquele fato chocante e ao mesmo tempo maravilhoso que marca a sua revelação em Jesus Cristo: Deus é humilde e modesto.
Mas há mais! Tudo indica que Deus está mais interessado em ser conhecido exatamente assim - humilde e modesto – do que como criador e onipotente.
É essa verdade fundamental, aliás, que distingue essencialmente a nossa fé da professada pelas inúmeras outras religiões existentes. Na maioria delas também se cultua um Deus que de uma forma ou de outra, se apresenta como poderoso e cheio de glória. Mas é unicamente na religião cristã que esse Deus se revela na pequenez e na fragilidade de uma criança, no seu desamparo e na sua necessidade de ser amado.
2. No evento do NATAL, Deus se manifesta a nós como realmente é (cf. Hb 1,3)
O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Dei Verbum, formula de maneira magistral a verdade fundamental de que, em Jesus Cristo, Deus nos revelou, de maneira mais clara e direta, aquilo que realmente é.
Se acreditamos nessas palavras de Igreja – e não há razão para não faze-lo - , descobrimos, na festa do Natal, o conteúdo mais comovente e, ao mesmo tempo, mais feliz da nossa fé. Descobrimos que, diante de Deus, não precisamos ter medo, porque ele se aproxima de nós no sorriso de uma criança. Descobrimos a verdade de que Deus não se interessa em primeiro lugar pelo poder e não faz questão alguma de ser venerado como poderoso. O fato é que ele se fez pequeno e se aniquilou (cf. Fl 2,5-8), entregando-se a nós como criança que suplica pelo nosso amor.
Deus é e se revela assim! Torna-se criança para compreendermos, que há apenas uma coisa que conta: ser amado.
3. O Natal revela que Deus não se interessa pelos mecanismos de prestígio e de poder
Se Deus se revela dessa maneira, deixando de lado as instâncias de prestígio e de poder, como é que nós poderíamos recorrer a tais mecanismos na convivência social, na vida pública ou na práxis religiosa?
Deus manifestou-se como criança para compreendermos que os seus caminhos não são aqueles do poder, mais os da ternura e do amor.
Ao tornar-se homem não na figura de um imperador poderoso, mas na forma de uma criança indefesa, Deus nos informa, de maneira indiscutível, que ele não se interessa pelos mecanismos do poder. Com isso, porém, assume grande risco. Ele se põe em nossas mãos!
Em Jesus Cristo, Deus se entrega aos seres humanos e, com isso, está totalmente sujeito ao agir e às decisões das pessoas. Ele fica à nossa mercê, assim como qualquer criança. Entrega-se a nós, assumindo o risco de que essa sua confiança possa ser traída.
A decepção diante dessa traição pode ser verificada no decorrer da história e já transparece em diferentes passagens bíblicas. Tal decepção chega ao seu cume naquele acontecimento chocante em que criaturas humanas torturam e matam o Filho de Deus no pelourinho vergonhoso da cruz. Ninguém teria tido a ousadia de crucificar um Deus onipotente que se tivesse manifestado em seu poder de glória. Um Deus assim seria venerado por todos; mas, ao mesmo tempo, seria temido por todos. Exatamente esse medo, porém, Deus não quer!
4. Não o temor, mas o amor
Deus não quer que o temamos, mas o amemos. O evento da Natal nos mostra que ele não está interessado em nos intimidar. Em vez disso, espera que o amemos. Para que tal fato se torne visível da maneira mais palpável, ele se revela a nós como criança indefesa que implora nosso amor. Deu um Deus que se apresenta na forma de uma criança, ninguém tem medo. Um Deus assim só pode ser amado de coração aberto. Só pode encontrar amparo em nossos braços e coração. É exatamente isso que Deus deseja.
5. Um Deus que se manifesta como criança pode ser amado; mas essa criança também pode ser rejeitada e pisada
Deus se nos mostra como criança para que percamos o medo dele e o amemos Mas, em vez de amá-lo, também é possível outra atitude. Se esse Deus revela-se indefeso como criança, então pode ser rejeitado. É possível jogá-lo no chão, pisar nele e até matá-lo.
A festa do Natal também nos confronta com essa alternativa. Além de todo romantismo sentimental e emocional e de todo o barulho da indústria da propaganda comercial, descobrimos, nessa criança na manjedoura, um desafio sem igual. Descobrimos a alternativa do amor. Mas será que nós amamos efetivamente essa criança e lhe abrimos o coração? Ou será que nos fechamos diante de suas súplicas por amor e o jogamos no chão, pisando-o e até o matando?
Certamente ninguém de nós jamais pensaria em bater naquela criança ou matá-la. Sobre isso há consenso total entre nós que vivenciamos o Natal e estamos felizes porque Deus se tornou homem. Mas exatamente pelo fato de Deus ter se manifestado a nós numa manjedoura, por não ter permanecido distante, oculto no interior de céus distantes, ele se torna desafio constante para nós.
O desafio é este: fazemos às pessoas tudo aquilo que gostaríamos de fazer a ele? É importante lembrar: tudo aquilo que fazemos a qualquer pessoa, nós fazemos a Deus. Com isso, porém, o fazemos também à criança que veneramos no Natal (cf. Mt 25,40-45).
Eis a grande e chocante verdade que tantas vezes, no decorrer da história, foi esquecida.
6. Deus, que se manifesta como criança, identifica-se de maneira plena com as pessoas
Pensar que cada um dos nossos atos para com qualquer ser humano se dirige a Jesus Cristo pode desencadear conseqüências que dificultem cantar as velhas músicas de Natal. Estas só dizem a verdade quando externam o amor que praticamos em favor dos nossos irmãos e irmãs, quando começamos a abrir-lhes o coração e respondemos aos seus anseios com amor.
À luz da identificação direta entre Jesus Cristo e as pessoas que encontramos no dia-a-dia, o Natal se torna um desafio para nós, indagação inquietante para a nossa consciência e vocação renovada cada vez mais urgente. Isso porque tudo aquilo que fazemos às pessoas, seja no bem, seja no mal, nós o fazemos à criança que veneramos no Natal.
À medida que, como cristãos e como igreja, tomarmos a sério esse fato, nossa religião se tornará fermento e sal da terra. Á medida que o Natal readquirir seu sentido original para nós, começaremos a transformar as inúmeras situações e estrutura nas quais seres humanos se encontram pisados, excluídos e desprezados. Agiremos assim por estarmos conscientes de que, em toda pessoa humana maltratada, a criança divina na manjedoura está sendo maltratada.
Tomando a sério o que nos é revelado no Natal, passaremos a trabalhar para construir situações e estruturas que estaremos em sintonia com tal revelação. Seremos colaboradores de situações onde reine o amor, a justiça e a solidariedade entre os seres humanos. Deus solidarizou-se, identificando-se conosco, de maneira direta e concreta no Natal.
Texto extraído da Revista Vida Pastoral (Outubro/Dezembro)
terça-feira, novembro 14, 2006
Sonetos de Elizabeth Barrett Browning
Minhalma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim, Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.
As minhas cartas! Todas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
Da vida eis que retomo hora por hora.
Nesta queria ver-me - era no estio –
Como amiga ao seu lado...Nesta implora
Vir e as mãos me tomar...Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.
Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertara
Ao meu peito, que todo inda estremece!
Mas uma...Ó meu amor, o que me disse
Não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o que então me disseste eu repetisse...
Parte: não te separas! Que jamais
Sairei de tua sombra. Por distante
Que te vás, em meu peito, a cada instante,
Juntos dois corações batem iguais.
Não ficarei mais só. Nem nunca mais
Dona de mim, a mão, quando a levante,
Deixará de sentir o toque amante
Da tua , - ao que fugi. Parte: não sais!
Como o vinho, que às uvas donde flui
Deve saber, é quanto faço e quanto
Sonho, que assim também todo te inclui
A ti, amor! Minha outra vida, pois
Quando oro a Deus, teu nome ele ouve e o pranto
Em meus olhos são lágrimas de dois.
Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente
Minhalma em comunhão constantemente
Com a sua”. Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade
De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-se por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.
sábado, novembro 11, 2006
Lula e a derrota da Casa Grande
"Casa-Grande & Senzala" (1933), de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido" (Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas holigarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exigua sensibilidade pelo drama dos pobres.
A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.
Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundiram com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores (PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituidos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.
Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.
O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande & Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.
Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
* Teólogo. Membro da Comissão da Carta da Terra
Decretos de Natal
domingo, outubro 29, 2006
Reflexão
Estou desejando a todos um proveitoso final desemana. Tenham a presença do Deus na vida. Votem com responsabilidade,pensando mais nos outros que em si mesmo.Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tantomais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente elesurge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudadeinfinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá?Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separacom ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto dohomem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vaise realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser quesim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdadeinclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, seescolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Pe. Carlos F. da Silva
Declaração de voto
De não menor importância, relembro o Mutirão lançado pela 40ª.Assembléia Geral da CNBB, em 19 de abril de 2002, como resposta às"Exigências Evangélicas e Éticas de Superação da Miséria e da Fome" (Doc.CNBB. 69).Com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002, o"combate à fome" ganha espaço e notoriedade mesmo além de nossasfronteiras. Porém, desde a primeira hora ficaram evidentes os limitesestruturais do Estado Brasileiro, comprometido com a cidadania de apenas umquarto de sua população, e os equívocos da compreensão e dosencaminhamentos do próprio governo.Aplaudindo o esforço despendido e o volume de recursos canalizados emprogramas de combate à fome, observo que sociedade e governos em geralainda tratam o problema da fome como questão de assistência social e decaridade ou favor! Nenhum direito humano deve ser tratado como uma questãode assistência social, embora em situações de grave risco ou geradas pelanegação de um direito sejam necessárias medidas de assistência social. A concepção das duas candidaturas que, em segundo turno, disputam aPresidência da República, sobre causas e soluções para a exclusão social, a
miséria e a fome, pode ser semelhante, mas decididamente não é igual. São, porém, semelhantes na repetição da eterna cantilena de que odesenvolvimento econômico, pura e simplesmente, será o remédio que haveráde curar nossos males. Em verdade, enquanto o Mercado for o regente emandatário de nossas vidas haveremos de colher os frutos da voracidade quelhe é peculiar. Alguém acredita que o meio ambiente poderá continuarcorrespondendo aos desmandos de nosso desperdício? Além dos cortes e outrasmanipulações dos economistas, não seriam necessárias e urgentes outrasmudanças que nos tragam mais saúde e vida? Onde entram os objetivos e asmetas do milênio? Alguém mais teria coragem de afirmar que a frugalidade énossa vocação e destino?! O que nos desfigura é a riqueza e a miséria! Em 1992 o Movimento pela Ética na Política considerou a concentração derenda e o alimento transformado em moeda como as mais graves expressões decorrupção no país. O pecado persiste até hoje, sem qualquer indicação de mudança! Ao ladodas grandes riquezas que são produzidas, agrava-se a degradação ambiental ecresce a exclusão social gerando miséria e fome. Vivemos numa sociedadeabortiva e cada vez mais violenta e cínica. Grande desafio será garantir defato o direito à reprodução, à gestação, ao nascimento e a uma vida digna efeliz através da justiça social, da educação e da promoção da cidadania.Causa-me indignação saber que milhões de bois e vacas destinados àexportação sejam tão bem conhecidos e rastreados. Tudo se sabe sobre suagenealogia, gestação e nutrição. Vergonhosamente os governos, nos trêsníveis da federação, pouco ou quase nada sabem sobre a nutrição e a saúdede seu povo. Basta consultar o banco de dados do SISVAN e das SecretariasEstaduais e Municipais de Saúde. Desde que o INAN foi extinto nada foi criado em seu lugar. Proponho que,no Ministério da Saúde (não seria da Doença?) ou da Educação, seja criado oDepartamento ou a Secretaria Nacional de Alimentação e Nutrição paraarticular a efetiva implantação da Política Nacional de Alimentação eNutrição, com suas sete diretrizes. Fundamental que as estatísticas tenhamrosto, nome e endereço em se tratando da vida de nossa gente, especialmenteas crianças. Enquanto alimento for transformado em moeda e lastro da balançacomercial, não haverá "Fome Zero" e nem "Nutrição Dez", menos ainda um povosaudável, inteligente, criativo e bem humorado! Aliás, o povo simples emodesto em suas pretensões nada mais deseja do que casa para morar, escolapara as crianças e trabalho! Espero que a política agrária e a política agrícola, tendo a segurançaalimentar e nutricional como objetivo, sejam definidas a partir dasrespostas a estas perguntas: O que plantar? Por que plantar? Como plantar?Para quem plantar? Em geral são os pequenos e médios produtores queabastecem a mesa do povo em qualquer recanto da Terra. Aliás, o Brasil nãoé problema, mas solução para o problema da fome no mundo. Na mesma perspectiva e com o mesmo objetivo, a descentralização e odesenvolvimento local podem tornar-se as bases de um país próspero esaudável Igualmente, a preservação do meio ambiente não seja meraconcessão, nem a economia solidária considerada uma utopia. Finalmente, sem erradicar o analfabetismo o Brasil não sai do atoleiroda corrupção e da miséria. O Papa João Paulo II já nos advertia que oanalfabeto quase sempre é explorado econômica e politicamente! Em conclusão, não quero discutir virtudes e pecados dos governantes e deseus auxiliares. Arrogância, mediocridade, mesquinharia, futricas ecorrupção normalmente vicejam nos palácios. Recomendaria aos governantes,na escolha de seus colaboradores, que levassem em consideração os conselhosde Jetro a seu genro Moisés (Êxodo 18,21). Depois de dois anos de árdua e leal cooperação com o Governo Alckmin/Lembo, como conselheiro e presidente do CONSEA-SP, não coloco esperançaalguma na candidatura da coligação Por Um Brasil Decente em relação àdefesa e à promoção do direito humano ao alimento e à nutrição, pelocontrário temo retrocesso. Espero que o Presidente Lula receba mais um mandato e que possa superaras contradições que caracterizam o Estado Brasileiro e afetam seu governo.Não se trata apenas de combater a corrupção, mas cultivar uma propostaética de desenvolvimento. Impossível servir a dois senhores, o Mercado e oPovo. Voto por uma economia com mercado, justa e solidária. Reine a Ética,governe a Política e submeta-se o Mercado. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 16 de Outubro de 2006, DiaMundial da Alimentação, participo da inauguração de mais um centromunicipal de recuperação de crianças em estado grave de desnutrição parareafirmar meu compromisso com um Brasil livre da miséria e da fome.Presidente Lula, cultivando a sabedoria, a coragem, a ousadia e ahumildade, com a graça de Deus e a participação do povo, poderá fazer umgrande governo. Quando o pão é partilhado com o faminto e injustiçado, brilha a Luz!(Isaias 58, 6-8). Não tenha medo de ser feliz!
Dom Mauro Morelli
Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias
Indaiatuba, SP, 12 de Outubro de 2006 - Dia da Criança.
sábado, outubro 28, 2006
Reflexão
Reflexão: Quem é o homem? É miséria e é grandeza. E sua grandeza é tanto mais excelente quanto mais nasce de sua prória miséria. Fundamentalmente ele surge como uma interrogação em aberto. É ânsia de plenitude, uma saudade infinita e um grito lançado aos imensos espaços vazios. Quem responderá? Busca o Infinito e só encontra finitos. Procura um Amor absoluto e separa com ensaios que exasperam ainda mais a busca. No fundo, qual é o projeto do homem? Ser como Deus: pleno, absoluto, eterno, infinitamente realizado. Vai se realizar esta utopia? Aquietar-se-á o coração incansado? Pode ser que sim. Pode ser que não. Depende de cada uma e de todos. A nossa liberdade inclui nela o livre arbítrio. Diante da vida e da morte, teremos a vida, se escolhemos a vida. Mas se escolhemos a morte teremos a morte.
Padre Carlos F. da Silva
terça-feira, setembro 05, 2006
Quem morre?
Pablo Neruda
sábado, setembro 02, 2006
Paixão Nacional
Em cada dez dos melhores jogadores de futebol do mundo, pelo menos cinco são brasileiros. Entre todos os prêmios Nobel do mundo, nenhum é brasileiro. Entre os grandes jogadores brasileiros, quase todos têm origem pobre, enquanto quase todos os profissionais de nível superior vêm das camadas ricas e médias.Nestes tempos de Copa do Mundo, a TV e o rádio mostram, todos os dias, pequenas biografias dos nossos grandes jogadores. Em comum, todos têm o fato de terem começado a jogar futebol aos quatro anos de idade, em algum campo de pelada perto de casa, às vezes no quintal de um amigo. Todos continuaram, com persistência, o desenvolvimento de seus talentos. Transformaram-se em grandes craques, graças à oportunidade, ao talento e à persistência.No Brasil de hoje, 20 milhões de meninos jogam futebol. Se apenas um em cada dez mil tiver talento e persistência, nas próximas copas teremos dois mil ótimos jogadores; se for um em cada um milhão, ainda assim teremos dois times completos, formados por grandes craques.O mesmo não vai acontecer com a ciência, a tecnologia e a literatura no Brasil. Não teremos 20 prêmios Nobel, nem mesmo juntando, a esses meninos, os outros 20 milhões de meninas. Porque poucos entrarão na escola aos quatro anos. Não terão acesso a verdadeiras escolas, não poderão persistir no desenvolvimento de talento, não terão livros ou computadores como têm bolas.O Brasil tem grandes craques graças ao gosto pelo futebol, ao tamanho da nossa população e ao fato de que todos têm acesso à bola e ao campo de pelada.Nosso país não tem, até hoje, nenhum Prêmio Nobel de Literatura ou Física, porque poucos têm acesso a ensino de qualidade desde a primeira infância, com professores bem remunerados, preparados e dedicados, dispondo de livros e computadores na quantidade e qualidade necessárias.Os campos e as bolas surgem espontaneamente, ou pelo esforço da comunidade e dos próprios meninos. A escola e os computadores só estarão à disposição se houver um esforço deliberado do país inteiro.Ninguém vira craque por sorte, e sim por talento e persistência. Mas, no Brasil, o desenvolvimento intelectual depende, antes de tudo, da sorte de nascer em uma família rica, em uma cidade próspera, com um prefeito que dê prioridade à educação. O talento e a persistência vêm depois porque, antes, precisam de oportunidade: uma escola de qualidade. O desenvolvimento intelectual depende de condições criadas pelo Estado nacional: escolas, livros, computadores, professores.Se tivéssemos feito isso há cinqüenta anos, o Brasil seria o campeão do saber, e não o lanterninha, posição que ocupamos atualmente. Se o fizermos agora, daqui a 20 anos teremos recuperado terreno, e aí teremos a chance de vencer não só a Copa do Mundo, mas também a Copa do Saber, do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da literatura. Ganharemos as medalhas do Nobel, além das taças da Copa.Além do mais, teremos o capital e as bases para construirmos o Brasil do século XXI. O futebol deslumbra, mas só o saber constrói.Tudo isso, porém, enfrenta um grave impedimento: os brasileiros têm paixão pelo futebol. As vitórias emocionam, as derrotas deixam todos abatidos. Mas não existe a mesma paixão pela educação. Há semanas, os meios de comunicação informaram que estamos perdendo para o Haiti em termos de repetência escolar. Nada aconteceu, ninguém se incomodou. Se tivéssemos perdido para o Haiti no futebol, nossos jogadores teriam sido muito mal recebidos na sua volta ao Brasil.Para que as medalhas intelectuais cheguem, é preciso ter pela escola a mesma paixão que o Brasil tem pelo futebol.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Quem são nossos ídolos?
Vejo com bastante preocupação, nas escolas, jovens admirarem bandidos, traficantes e baderneiros. E a polícia ser cada vez mais hostilizada. Recentemente, presenciei um jovem de quinze anos, dizer em alto e bom som que naquele dia mais um ônibus seria incendiado. Não compreendo essa onde de violência que assola o Brasil: ataques ao comércio, agências bancárias, carros, ônibus, rebeliões nos presídios. E também não entendo esses jovens que participam ativamente de tais manifestações ou, as admiram. Acho que eles estão desenvolvendo valores invertidos, que os levam a respeitar tudo o que normalmente a sociedade rejeita como inútil ou nefasto.
Na adolescência, eu adorava uma série que passava na TV sobre pesquisa submarina. Meu ídolo era o líder daquele grupo: um senhor idoso, cabelos grisalhos e, nada parecido com Antonio Banderas. Na época, os ídolos de nossa juventude eram os cantores de rock ou artistas de Hollywood, mas nunca criminosos.
Ídolos são heróis, nossos heróis. Espelhamos-nos neles, sonhamos em ser como eles. Pautamos nossos valores morais neles. Os ídolos servem de parâmetros para o comportamento das pessoas, por isso é que me preocupo tanto com os ídolos de boa parte dos jovens atuais.
Na universidade, meu ídolo eram um indiano, mistura de guru e líder político que deu a sua vida pela independência da Índia. Eu não acompanhava os modismos da época. Podia ser excêntrica, mas nunca uma desmiolada como muitos jovens de hoje.
Sei que os ídolos são frutos de uma época, surgem dentro de um contexto e, geralmente, são plantados pela mídia. Mesmo assim, fica aqui uma pergunta: e o senso crítico dos jovens, por onde anda? Boa parte da população juvenil está completamente perdida, com valores morais totalmente invertidos. Há falhas enormes de caráter. Vícios que dificilmente serão modificados. Embora a lei não permita, no país todo se vende bebida alcoólica e cigarro para menores de idade. E é grande a quantidade de adolescentes envolvidos com todo tipo de droga, de cola de sapateiro a cocaína. O que será deles? O que será deste país quando eles forem a geração adulta e estiverem no mercado de trabalho? É senso comum falar mal da escola pública, mas boa parte destes jovens está lá e, é ela quem salva muitos deles. Há projetos maravilhosos sendo desenvolvidos dentro das escolas!
Trabalho este que visa incutir na cabeça dos jovens, outros ídolos e outros valores que não sejam líderes de rebeliões em presídios, nem chefes do tráfico de drogas.
Boa parte desta geração estará perdida para sempre, mas muitos se salvarão.
Assim espero.
domingo, agosto 13, 2006
A melhor idade
Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas. Há alguns anos, mesmo não tendo chegado à idade adequada para conviver com um grupo acima dos cinqüentas anos, fui aceita em um, e fiz tai-chi-chuan durante algum tempo. Então, três manhãs por semana eu ia me encontrar com pessoas muitos agradáveis, leves, de bem com a vida, em um jardim muito bonito, cedido por alguém do grupo, para praticar tai-chi-chuan atividade física de procedência oriental. Foi um tempo muito feliz! O grupo da terceira idade ou, Grupo da Melhor Idade como gostam de serem chamadas as pessoas que já passaram dos cinqüenta anos é antes de tudo uma lição de vida. A maioria já com os filhos criados, netos adultos, e muitas delas viúvas há alguns anos, fazem desses encontros momentos de alegria e confraternização.
Outros grupos desenvolvem atividades recreativas e culturais como cursos de dança de salão, modelo, maquiagem, ginástica, alongamento, caminhada, etc. Essas associações fazem a alegria de nossos pais e avós que não precisam mais viver pelos cantos, sem um objetivo na vida, apenas esperando a morte chegar.
Recentemente, presenciei em uma rua de grande movimento, um ciclista, muito jovem, quase atropelar um idoso. Assustado, o rapaz disse uma série de palavras grosseiras ao senhor que calmamente o olhava, sem dizer uma palavra. Uma cena lamentável!
Todos os momentos de nossa vida são ricos e preciosos, mas nenhum deles tem tanto a oferecer como a maturidade. Porém, a falta de respeito dos mais jovens para com os idosos é algo lastimável. Infelizmente muitos ainda não perceberam o quanto aprenderiam com a sabedoria dos mais velhos.
terça-feira, agosto 01, 2006
Feliz por ti - Thiago Bassi
O sol como um todovem meu coraçao iluminar.A lua como sempre vem me alegrar.Amores perdidos em meio as frustaçoes.Amores alcançados em meio a tentativas.
Estacões passam...Como o verão, você veio aquecer meu coração.Como o inverno, gelou meus erros.Como o outono, plantou um semente em meu coração.Mas na primavera vim saber o que era a solidão de sua perda.Triste por sua partida?Talvez...Feliz por sua felicidade?Sempre...
domingo, julho 30, 2006
A pedido

Nas noites desocupadas, navego em busca de um des (vazio) desses momentos de ócio sem sentido. Faço conexão com o mundo, embrenho-me pelos caminhos que se
apresentam para mim, neste universo digital. Aristóteles, velha máquina, meu computador, desde há muito enferrujando sobre a mesa, é meu instrumento de busca. E o que busco eu? Não tenho muita certeza, amigos, informação, uma luz no fim do túnel, talvez a mim mesma... quem é que sabe? Meus eus manifestados nos outros ou vice-versa. Minha existência que se completa na busca de uma vivência maior. Um completo
interagir na busca do outro. Tudo isso me faz lembrar fragmentos de um antigo poema... busquei...buscaste...vinhas fatigada e
triste... mas minha memória quase o esqueceu por
completo. Navegar é preciso também aqui neste universo virtual. Que importa saber o real motivo?
Então uma noite dessas um amigo me disse: “por que não escreve sobre sentimentos e emoções”? Pensei, por que não tentar?
domingo, julho 16, 2006
Passeio no Horto
Passeio no Horto
Fui ao Horto de São Vicente com meus sobrinhos. Era um lindo dia, céu azul e muito calor. Lá, há festas constantes: do morango, da banana, do pêssego. Desta vez era a Festa da Uva. Havia de tudo: uvas de vários tipos, suco de uva, geléias, licores etc. Mas o que adoçou a nossa tarde mesmo foi o sorvete de milho verde. Uma delícia!
Além das guloseimas, não poderíamos deixar de visitar o mini zoológico, principalmente as araras e os papagaios, tão coloridos e barulhentos. Nada me deixa mais contente do que provocá-los. Aí, vira um carnaval de cores e sons, pois eles fazem muito barulho e lá pelas tantas, já nem sei quem grita mais, se eu ou eles. Sempre volto para casa mais leve e feliz.
Nesta festa da uva, a tarde ainda prometia grandes emoções. Minha sobrinha, encantada com o casal de leões, cometeu uma gafe daquelas ao dizer que o charmoso casal de tigres era lindo. Ainda bem que tão ocupados em tomar banho de sol os leões não prestaram atenção no que ela dizia.
De repente, caiu uma chuvinha de verão, que não dura mais do que dez minutos e só serve para molhar a roupa. Enquanto isso subíamos a trilha, em meio a uma vegetação magnífica. A chuva rápida, o verde das plantas, o cheiro de terra molhada, banhou a nossa alma, com certeza.
Mas ainda havia muito para ver. E eu também não podia deixar passar a visita ao meu amigo avestruz. Tão elegante! Chique e mal acostumado, pois não pode ver alguém chegar perto do vidro que já estica o pescoço, como uma criança que sempre espera ganhar algo. Fico muito tempo olhando para ele e pensando como a natureza é perfeita.
Levo as crianças para ver o Museu dos Escravos e o restaurante de Angola.
A casa do vinho, a do licor (deliciosos!), o carrinho de pipoca e do churro.
De repente aparece do nada, um grupo de crianças, todas vestidas iguaisinhas, para
dançar uma dessas músicas que os jovens tanto gostam. Como estou com dois adolescentes, meus sobrinhos, faço o sacrifício de assistir o show.
Entramos no pavilhão onde se realiza a exposição de flores. O colorido é impressionante. Adoro flores! Principalmente as amarelas e mais ainda aqueles vasos de crisântemos bola. Lindos! Ainda vou levar um desses para minha casa, pensei. Azaléias, bromélias, mini cactos, tão graciosos.
Vasos muito pequenos me chamam a atenção, são no máximo do tamanho de um copo. Olho aquela plantinha verde contida nele, sem flores. Num primeiro momento ela me pareceu meio sem graça, se comparada a outras flores tão exuberantes e coloridas. Suas folhas não são longas, mas nas extremidades têm pequenas 'agulhas. Chamam a atenção mais por sua forma, pois suas folhas são bem gordinhas, rechonchudas. Não sei por que associei tais plantinhas àqueles quadros antigos em que as donzelas retratadas são graciosamente gordinhas. Curiosa com tão delicada plantinha, fui ler a placa com o seu nome: SUCULENTA. Encantei-me mais ainda com ela.
Ah! Que tarde suculenta tivemos!
sábado, julho 08, 2006
Papo sério

O primeiro amor virtual a gente não esquece - Parte 12
Papo sério
Eros2002: oi
Eros2002: está zangada?
Psique: não, só estou escrevendo um pouco.
Eros2002: gostei muito da sua opinião sobre a violência
Psique: sim?
Eros2002: sim
Psique: é uma visão que na prática não apresenta soluções
Eros2002: há muita violência em quase tudo
Psique: onde será que está a solução?
Eros2002: sim, mas é difícil resolver o problema.
Psique: esse é o problema!
Psique: caríssimo, só procura o caminho errado quem é fraco de valores.
Eros2002: ok
Eros2002: você nunca cometeu um erro?
Psique: desse tipo não
Eros2002: ainda bem
Psique: nunca vendi o meu corpo
Psique: trabalhei muito na minha vida
Eros2002: sim, estou vendo.
Psique: e nunca precisei fazer nada de errado
Eros2002: certo
Psique: o pouco que consegui é fruto do meu trabalho
Eros2002: você acha então que apesar de toda a violência que há nas favelas é possível viver-se com dignidade nesses locais?
Psique: com certeza, trabalhei lá durante quatro anos como professora.
Eros2002: ok
Psique: lá tem muita gente boa e que trabalha duro
Eros2002: certo
Psique: só segue o caminho errado quem quer
Eros2002: ok
Eros2002: entendi
Psique: às vezes o caminho poder ser difícil, mas...
Eros2002: não pode haver só histórias tristes
Psique: com certeza, e todas as histórias de luta digna e trabalho honesto são bonitas.
Eros2002: ok
Eros2002: são cinco da manhã, devo estar louco.
Psique: louco de sono?
Eros2002: sim
Psique: vá dormir então
Eros2002: pois vou
Psique: boa noite
Eros2002: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau
Eros2002: vou desligar
Psique: descanse
A ti Musa

O primeiro amor virtual a gente não esquece - parte 11
A ti Musa
Eros2002: oi
Psique: oi
Eros2002: então a festa foi boa?
Psique: foi maravilhosa!
Eros2002: ótimo!
Psique: e eu fiz um brinde para você à mesa
Eros2002: obrigado
Psique: ontem tudo foi lindo, o baile, o jantar, tudo mesmo. E depois, formatura sempre é muito marcante.
Eros2002: sim
Eros2002: e você a mais bela da sala
Psique: obrigada, você é gentil.
Eros2002: o convívio foi bom?
Psique: com os amigos?
Eros2002: sim
Eros2002: aqui também saí, e conversei até com gente que não conheço, foi muito proveitoso
Psique: ainda bem que superou o dia de ontem
Eros2002: sim, acabou bem
Eros2002: quase bem
Psique: eu hoje me sinto estranha
Eros2002: por quê?
Psique: não sei, desde cedo sinto vontade de ficar sozinha, até na praia fui caminhar só.
Eros2002: sim?
Eros2002: oh!
Eros2002: eu já te liguei três vezes hoje
Eros2002: e nada
Psique: fazia tempo que não me sentia assim
Eros2002: tive azar
Eros2002: será por causa de ontem?
Psique: é como se eu precisasse conversar comigo mesma
Eros2002: serei eu a desestabilizar?
Psique: não é você não, sou eu mesma.
Eros2002: mas o que se passa?
Psique: não sei
Eros2002: o que é que sente?
Psique: Desculpe, mas preciso atender minha amiga que chegou. Volto logo
Eros2002: ok até logo
Psique: ainda está aí, Eros?
Eros2002: oui
Psique: desculpe, mas não podia deixar a minha amiga
Eros2002: sim
Psique: e eu ganhei um chocolate
Eros2002: linda menina
Psique: ela sempre me traz algo
Eros2002: simpática
Psique: eu?
Eros2002: também
Psique: onde estávamos mesmo?
Eros2002: você se sente estranha
Psique: é, às vezes quero ficar sozinha, conversar comigo mesma
Psique: e hoje passei o dia inteiro assim
Eros2002: sim, não quer conversar comigo?
Psique: quero
Eros2002: então diga, por favor,
Psique: conte-me sobre a sua noite ontem, onde foi?
Psique: onde foi passear?
Eros2002: foi de conversa de amigos
Eros2002: a um centro comercial e a um bar
Psique: mas foi a algum lugar bonito?
Eros2002: não muito
Psique: como são os seus amigos?
Eros2002: já não estava com eles há uns tempos e eles é que marcaram o lugar
Eros2002: são financeiros
Psique: o que é isso?
Eros2002: são pessoas da área financeira, logo muito cerebrais.
Eros2002: frios de análise
Psique: racionais?
Eros2002: sim
Eros2002: mais do que isso
Eros2002: muito virados para ouvir e contarem pouco
Psique: gosta de conviver com essas pessoas?
Eros2002: mas também tem piada
Psique: ah!
Eros2002: não estavam a trabalhar
Psique: e por que se reuniram?
Eros2002: era sexta-feira à noite
Eros2002: para por as conversas em dia
Eros2002: o grupo até já foi grande, só homens, mas eram jantares divertidos
Psique: não havia mulheres?
Eros2002: não
Eros2002: não calhou
Psique: como assim?
Eros2002: são meus conhecidos do mundo dos negócios, e não há ainda muitas mulheres no setor por aqui.
Psique: é pena
Eros2002: é
Eros2002: seria bem mais divertido
Psique: aqui, quando reúnem as professoras, é só mulher
Eros2002: cá, professoras também.
Psique também faz parte desse universo?
Eros2002: não faço muito parte desse grupo
Psique: não?
Eros2002: mas estes até são boas pessoas, mas muito cerebrais
Ero2002: eu é que lhes mostro o outro lado da vida
Psique: cerebrais = racionais?
Psique: o que mostra a eles, Eros?
Eros2002: alegria, humanidade, e uma visão mais otimista.
Eros2002: e de negócios
Psique: não sabem aproveitar a vida mesmo
Eros2002: mas ontem o local era acolhedor e propício a um bom vinho
Psique: ah!
Eros2002: beber um bom vinho deve ser na companhia de uma bela musa
Psique: brindou a mim?
Eros2002: sim, claro
Psique: legal
Eros2002: poetei para mim sobre o assunto
Psique: é mesmo?
Psique: conte-me
Eros2002: sim
Eros2002: pego no copo como se pegasse em ti
Eros2002: e brindo aos teus lábios com os meus
Psique: como é que é?
Eros2002: brindo aos teus lábios com os meus
Eros2002: e bebo imaginando o teu olhar
Eros2002: e ouço o teu riso alegre
Eros2002: e pouso de novo o copo
Eros2002: e lembro oceano azul e longo
Eros2002: a ti minha musa
Eros2002: fim
Psique: obrigada, Eros
Eros2002: de nada
Eros2002: o título é A ti musa
Psique: até onde nós vamos com tudo isso, Eros?
Eros2002: daqui a pouco vou para a cama...
Eros2002: acho que a uma bela amizade
Eros2002: sem complexos
Psique: Eros, boa noite!
Eros2002: que aconteceu?
Psique: nada
Eros2002: sério?
Eros2002: ofendi-a?
Eros2002: não acredito!
Psique: boa noite, não me ofendeu
Eros2002: ok, boa noite
Eros2002: você fugiu assim de repente
Psique: quero ficar um pouco sozinha, é só isso. Amanhã conversaremos com certeza
Eros2002: de certeza que é só isso?
Psique: sim, Eros
Eros2002: não me parece
Psique: o que quer que eu lhe diga então?
Eros2002: nada que seja contrariada
Psique: posso ir-me?
Eros2002: ok xau
Eros2002: boa noite
Psique: boa noite
Psique: xau
Eros2002: xau