Vejo com bastante preocupação, nas escolas, jovens admirarem bandidos, traficantes e baderneiros. E a polícia ser cada vez mais hostilizada. Recentemente, presenciei um jovem de quinze anos, dizer em alto e bom som que naquele dia mais um ônibus seria incendiado. Não compreendo essa onde de violência que assola o Brasil: ataques ao comércio, agências bancárias, carros, ônibus, rebeliões nos presídios. E também não entendo esses jovens que participam ativamente de tais manifestações ou, as admiram. Acho que eles estão desenvolvendo valores invertidos, que os levam a respeitar tudo o que normalmente a sociedade rejeita como inútil ou nefasto.
Na adolescência, eu adorava uma série que passava na TV sobre pesquisa submarina. Meu ídolo era o líder daquele grupo: um senhor idoso, cabelos grisalhos e, nada parecido com Antonio Banderas. Na época, os ídolos de nossa juventude eram os cantores de rock ou artistas de Hollywood, mas nunca criminosos.
Ídolos são heróis, nossos heróis. Espelhamos-nos neles, sonhamos em ser como eles. Pautamos nossos valores morais neles. Os ídolos servem de parâmetros para o comportamento das pessoas, por isso é que me preocupo tanto com os ídolos de boa parte dos jovens atuais.
Na universidade, meu ídolo eram um indiano, mistura de guru e líder político que deu a sua vida pela independência da Índia. Eu não acompanhava os modismos da época. Podia ser excêntrica, mas nunca uma desmiolada como muitos jovens de hoje.
Sei que os ídolos são frutos de uma época, surgem dentro de um contexto e, geralmente, são plantados pela mídia. Mesmo assim, fica aqui uma pergunta: e o senso crítico dos jovens, por onde anda? Boa parte da população juvenil está completamente perdida, com valores morais totalmente invertidos. Há falhas enormes de caráter. Vícios que dificilmente serão modificados. Embora a lei não permita, no país todo se vende bebida alcoólica e cigarro para menores de idade. E é grande a quantidade de adolescentes envolvidos com todo tipo de droga, de cola de sapateiro a cocaína. O que será deles? O que será deste país quando eles forem a geração adulta e estiverem no mercado de trabalho? É senso comum falar mal da escola pública, mas boa parte destes jovens está lá e, é ela quem salva muitos deles. Há projetos maravilhosos sendo desenvolvidos dentro das escolas!
Trabalho este que visa incutir na cabeça dos jovens, outros ídolos e outros valores que não sejam líderes de rebeliões em presídios, nem chefes do tráfico de drogas.
Boa parte desta geração estará perdida para sempre, mas muitos se salvarão.
Assim espero.
Nenhum comentário:
Postar um comentário