sábado, fevereiro 25, 2006

Momentos Essenciais


Sexta-feira, tarde da noite!
Fim de semana e a sensação do dever cumprido!
Mas este não é um final de semana qualquer, é carnaval!

Porém, lá fora nenhum som de trio elétrico, nenhuma bateria de escola de samba, e nem blocos desfilando...
Não importa, faço meu carnaval particular!
Depois de um banho relaxante, visto apenas uma blusa leve e vou para a cozinha preparar um lanche:sanduíche de peito de peru, um copo de leite e uma pera bem doce.
Levo tudo para a sala em uma bandeja e ligo a TV.
Sempre adorei carnaval, mas esta noite quero algo mais especial.
Não estou com disposição para assistir , durante horas, o desfile das escolas de samba, o ritmo contagiante das baterias e nem a sensualidade das mulheres estrategicamente escolhidas para atrair gente do mundo todo.
Assisto a um concerto, realizado na Alemanha, ao ar livre , em um belo parque , onde uma magnífica
orquestra se apresenta tocando Tchaikovisk, regida pelo consagrado maestro Seiji Osawa.
Nem a mais empolgante das escolas de samba me emociona tanto,quanto Tchaikowisk .Suas
músicas despertam em min'alma uma irresistível vontade de ficar na ponta dos pés
e... dançar, dançar, e dançar...até o amanhecer!
Os ponteiros do relógio me avisam que já é madrugada de sábado!
Folheio um livro de Mário Quintana , "Poesias".
Passeio poeticamente por suas páginas. Leio aqui e ali e mergulho na melodia de seus versos!
Como não se encantar ?

Carreto
Amar é
mudar a alma de casa


Paisagem de Após-Chuva
A relva, os cavalos, as reses, as folhas, tudo envernizadinho como no dia inolvidável da inauguração
do Paraíso...


Prosódia
As folhas enchem de ff as vogais do
vento.


Clopt! Clopt!
É a ruazinha que tosse, tosse, engasgada
com o homem da muleta.


Da Humilde Verdade
O quotidiano é o
incógnito do mistério.


Mentira?
A mentira é uma verdade que se
esqueceu de acontecer.


Passeio
Oh! não há nada como um pé atrás
do outro...


Música, poesia, momentos essenciais de um "estar comigo mesma"
O dia já está clareando , quando a fantasia acaba e o sono chega...

Do amoroso esquecimento -Mário Quintana


Eu, agora, - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

terça-feira, fevereiro 21, 2006

O Zahir - Paulo Coelho


Diz o mito mongol da criação do mundo:

Apareceu um cão selvagem que era azul e cinza
Cujo destino era imposto pelo céu.
Sua mulher era uma corça.

Assim começa mais uma história de amor.O cão selvavem com sua coragem, sua força, a corça com sua doçura, intuição, elegância. O caçador e a caça se encontram e se amam. Conforme as leis da natureza, um deveria destruir o outro - mas no amor não há nem bem nem mal, não há construção nem destruíção, há movimentos. E o amor muda as leis da natureza.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Reflexões


"Quando me procurares, não me procures colhendo, mas plantando".

Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz".

" O amor é uma fruta de todas as estações".




Madre Teresa

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Eu te amo não diz tudo - Arnaldo Jabor



Ele diz que te ama... então tá! Ele te ama! Assunto encerrado!!!Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, Que zela pela sua felicidade, Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas, E que dá uma sacudida em você quando for preciso. Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás, E vê-lo(a) tentar reconciliar você com seu pai, É ver como ele(a) fica triste quando você está triste, E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d`água. Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, Sem inventar um personagem para a relação, Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; Quem não levanta a voz, mas fala; Quem não concorda, mas escuta. Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo! "Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento; É preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

O primeiro amor virtual a gente nunca esquece


Recentemente tive que explicar a uma senhora bastante idosa, o que era um Blog. Disse-lhe que era algo bastante parecido com aquele diário que a gente fazia na adolescência, só que agora em vez de papel e caneta, usa-se o computador. Alguns dias depois, ela volta a me perguntar "o que é e-mail?"
Pacientemente , digo-lhe que é o mesmo que escrever uma carta e enviar para alguém, só que usamos o correio do computador.
Estou muito desconfiada de que logo ela irá me perguntar o que é um messenger. Aí, vou achar mais fácil trazê-la até o computador, e deixá-la ver como isso funciona.
Bem,não imagino minha vida sem o "Aristóteles". Este universo de informação, a facilidade para pesquisar, os grupos, os amigos ( muito bem selecionados, claro), fez desta máquina uma peça fundamental em minha vida.
A revista Veja, de 25 de janeiro de 2006, trás um encarte especial sobre a influência da Internet da vida dos casais: a infidelidade virtual, as fantasias sexuais, as paqueras, os encontros, enfim , as mesmas histórias de sempre – amores, encontros e desencontros – mas agora no universo virtual.
Se a minha vizinha, uma senhora com mais de 80 anos , também quiser saber sobre isso, vai dar uma trabalho danado explicar. Mas vou me esforçar!
Conheço várias pessoas que começaram a namorar pela net, um dia se encontraram, o namoro tornou-se real e casaram-se. Porém, nem sempre as histórias têm um final feliz. Uma amiga já namorava há alguns meses um rapaz, cujo encontro foi proporcionado por este mundo virtual. A cada quinze dias, ele vinha de outro Estado para encontrá-la e, havia até uma data marcada para o casamento. Mas , como disse minha aluna Stéfani " não temos lugar neste mundo, temos tempo" ele faleceu três meses antes do enlace. E, minha amiga voltou a ser alguém à procura de um amor.
Eu também encontrei o amor aqui, uma paixão que durou alguns meses – real – e teve um final melancólico. Como diz meu amigo Edson, professor de filosofia, " faz parte".
Porém, algo que é inesquecível, também neste mundo virtual é o primeiro namorado. O primeiro amor, ou namorado, raramente dá certo, mas permanece para sempre em nossas em nossas lembranças.
Para respeitar a privacidade do casal, troquei os nomes neste ‘namorico virtual’:
psique: oi
eros2002: olá
psique: tudo bem com você?
eros2002: sim, obrigado
eros2002: está boa?
psique: Sim, teve um bom dia?
eros2002: obrigado, sim, e v/c?
psique: melhor impossível, fui visitar uma velha tia, ela ficou feliz em me ver.
eros2002: sim?
psique: irmã de meu pai.
eros2002: Ah!
psique: Aos 80 anos , ela é uma velhinha muito alegre e de bem com a vida...
eros2002: sim?
psique: gosta de passear, de bons churrascos, aliás ela levanta o meu astral
eros2002: Ah, v/c estava precisando?
psique: estava
eros2002: sim?
psique: sim
eros2002: "teus caminhos não são meus, mas, apenas por alguns momentos caminharemos juntos "- conhece?
psique: claro, eu escrevi
eros2002: Ah!
psique: por que está lembrando isso?
eros2002: por que será?
psique: ficou chateado por ontem?
eros2002: fiquei apreensivo
psique: então por que isso?
eros2002: tenho receio de a magoar
psique: às vezes você me magoa, às vezes me faz feliz...
eros2002: sim, por quê?
psique: às vezes dou boas risadas com você
eros2002: mas...
psique: só ontem, não sei porque , senti raiva
eros2002: sim?
psique: e... eu não sei explicar
eros2002: sim?
psique: não sei explicar direito, fiquei pensando que você...talvez esteja apenas se divertindo comigo
eros2002: acha que sim?
psique: eu não sei se é isso, mas ontem, senti-me assim, compreende?
eros2002: não!
psique: sabe o que acho também?
eros2002: não
psique: falo demais das minhas emoções para você, talvez isso desestabilize nossa amizade.
eros2002: não sei
eros2002: acho que podemos até nos ajudar emotivamente, sem nos magoarmos
psique: é , mas não vê que eu estou me perdendo?
eros2002: perdendo como? Acho que v/c se está a assustar
psique: nunca vivi algo assim antes e isso me assusta mesmo
eros2002: o.k., eu entendo
psique: a verdade é que não estamos sendo só amigos
eros2002: e...é assim tão mau?
psique: e eu já lhe disse que não quero ter um namorado pela net
eros2002: Ah sim?
psique: sim !
eros2002: apenas amigos?
psique: um amigo de verdade não escreve essas coisas...já saímos da área da literatura e faz tempo! De poetar a quatro mãos...
eros2002: v/c gostou?
psique: sim , mas agora não gosto mais
eros2002: o.k., não estará a exagerar um pouco?
psique: não sei, estou?
ecos2002: se eu até me abri muito com v/c...
ecos2002: o que é que eu ganho com isso?
psique: não sei...
psique: eu lhe perguntei ontem, e pergunto de novo: o que quer de mim afinal?
eros2002: uma grande amiga, e v/c o quer de mim?
psique: gosto de conversar com você
eros2002: e...
psique: conversa as mesmas coisas com outras amigas da net?
eros2002: não, que amigas?
psique: então...
eros2002: então o quê?
psique: você não tem outras amigas na net?
eros2002: não!
psique: como não?
eros2002: cada vez falo com menos pessoas aqui
psique: e as da sua cidade?
eros2002: quem?
eros2002: não sei que lhe diga
psique: você não respondeu a minha pergunta: escreve poesias para elas também?
psique: fala a elas o que fala para mim ?
eros2002: nunca fiz!
psique: então, você não me trata como as outras amigas, certo?
eros2002: posso fazer uma pergunta, e v/c não se ofende?
psique: pergunte
eros2002: isto é uma cena de ciúmes?
psique: não, quero apenas deixar bem claro o que somos um para o outro...
eros2002: mas eu não a quero aborrecer
eros2002: e se o fiz, peço-lhe desculpa
psique: eu não o amo, mas tenho um grande afeto por v/c
eros2002: eu tb tenho por v/c...
eros2002: e, brincar com os sentimentos das pessoas é algo que nunca farei...
psique: você me deixa confusa, em conflito comigo mesma...
eros2002: o.k., entendi
eros2002: que quer que eu faça?
psique: trate-me como uma amiga de verdade
eros2002: o.k., assim será
psique: eu acho que assim ficaremos bem, não quero perder a sua amizade
eros2002: o.k., mas como perderia a minha amizade?
psique: do jeito que estamos, vamos acabar brigando, não percebe? Acho até que estamos discutindo nesse momento
eros2002: O.k., v/c pode contar comigo
psique: obrigada
psique: ufa!!! que conversa difícil!
eros2002: não, fácil
eros2002: posso lhe fazer uma pergunta?
psique: pergunte!
eros2002: posso voltar a telefonar?
psique: com certeza
eros2002: E ouvir a sua bela voz, esse riso maravilhoso?
eros2002: adoro a sua voz!
eros2002: e fim!


Fevereiro 2006

domingo, fevereiro 05, 2006

Vazio


Às vezes parece que o mundo não me toca.Como um quadro , daqueles que a gente olha e não entende.

O que te faz feliz?


Neste verão fui muitas vezes à praia, pois estava com sobrinhos em casa e, sabe como é, a turminha do interior se encanta com o mar.
Deu algum trabalho orientá-los sobre a importância do uso do protetor solar, mas agora , estão voltando para casa, bronzeados e sem aquelas queimaduras , que além do incômodas para vestir roupas e dormir , ainda acabam descascando.Aí, o "bronzeado camaronês" já era, dando em nada , o tão sonhado "olha só, fui à praia"..
Infelizmente, é muito comum a exposição ao sol de pessoas muito brancas e que sem os devidos cuidados ficam abrasadas , isto é, com a pele muito vermelha.
Porém, que um dia luminoso de quarenta graus, aquela água morna "limpando" o corpo das desventuras acumuladas durante o ano - mágoas, chateações, o patrão implicante, o vizinho barulhento, o cachorro que incomoda à noite- o céu especialmente azul,salpicado pelo colorido das asas deltas e para-glides de todos os tons.

O pastel - talvez o milésimo frito naquele óleo - com muito recheio, é simplesmente delicioso! E o sorvete de um real e cinquenta centavos, afinal ele tem pedaços de coco!
Tem também os amendoins torradinhos do Sr David . Ele já trabalha na praia do Itararé há 30 anos. E, por um desses contratempos "pouco comuns" neste país , foi enganado durante cinco anos por um advogado e ainda não conseguiu aposentar-se.Agora , com mais de setenta anos continua lá, o dia todo debaixo de um sol escaldante , vendendo biscoitos e amendoins.
Quando bate aquela fominha, pode-se optar também pelas porções: adoro cebola à milanesa !
Está com sede? Beba água......de coco, ou uma cerveja bem gelada, um chá com limão.
Se vc faz o tipo intelectual, não pode esquecer um livro ou uma revista.
Um corpo bonito, estendido na areia, sobre uma esteira, uma revista com a foto do Duda Mendonça na capa, é capaz de deixar qualquer jovem apaixonadíssimo..."Intelectual e politizada?É a mulher da minha vida, pensará ele!"
Mas nada disso se compara com a alegria das crianças que vêm do interior para conhecer a praia. O encantamento, a alegria, o espanto pela "certeza" de que a água é salgada, que o mar é muito maior que a piscina.....os gritos, as brincadeiras , os castelos construídos na areia.
São momentos de tanta felicidade para essas crianças - e muitas nunca viram o mar - que chega a emocionar.
Neste verão, tive a alegria de presenciar a chegada de vários ônibus , cheios de crianças, vindas do interior.Para conhecer a cidade de S.Vicente, mas principalmente a praia. Cidades muito pequenas, distantes daqui. Claro que para elas tudo era novidade. E a euforia, os gritinhos, os risos, o" jogar água um no outro",o "enterrar-se na areia", deixava claro o que elas estavam muito sentindo.
As crianças estavam muito felizes!
E você? O que te faz feliz, heim?

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Um dia qualquer de 2006 -Paulo Coelho



Um dia qualquer de 2006


Hoje está chovendo muito, e a temperatura está perto de 3º C. Resolvi andar – acho que se não ando todos os dias, não consigo trabalhar direito – mas o vento também está forte, e voltei para o carro depois de dez minutos. Peguei o jornal na caixa de correios, nada de importante – exceto as coisas que os jornalistas decidiram que devemos saber, acompanhar, tomar posição a respeito.
Vou para o computador ler as mensagens eletrônicas.
Nada de novo, algumas decisões sem importância, que em pouco tempo resolvo.
Tento um pouco de arco e flecha, mas o vento continua, é impossível. Já escrevi meu livro bi-anual, que desta vez se chama “O Zahir”, e ainda faltam algumas semanas para sua publicação. Já escrevi as colunas que publico na internet. Já fiz o boletim da minha página na Web. Fiz um check-up do estômago que felizmente não detectou qualquer anomalia (me assustaram muito com a tal história do tubo entrando pela boca, mas não é nada de terrível). Fui ao dentista. Os bilhetes da próxima viagem de avião, que estavam demorando, chegaram por correio expresso. Tem coisas que preciso fazer amanhã, e coisas que terminei de fazer ontem, mas hoje...
Hoje não tenho absolutamente nada onde concentrar minha atenção.
Fico assustado: não devia estar fazendo alguma coisa? Bem, se quiser inventar trabalho, não precisa muito esforço – sempre temos projetos a serem desenvolvidos, lâmpadas que precisam ser trocadas, folhas secas que devem ser varridas, arrumação de livros, organização dos arquivos do computador, etc. Mas que tal encarar o vazio total?
Coloco um gorro, roupa térmica, um casaco impermeável, e saio para o jardim – desta maneira conseguirei resistir ao frio pelas próximas quatro ou cinco horas. Sento-me na grama molhada, e começo a listar mentalmente o que passa pela minha cabeça:
A] Sou inútil. Todo mundo neste momento está ocupado, trabalhando duro.
Resposta: também trabalho duro, às vezes doze horas por dia. Hoje, por acaso, não tenho nada que fazer.
B] Não tenho amigos. Estou aqui sozinho, um dos mais famosos escritores do mundo, e o telefone não toca. Resposta: claro que tenho amigos. Mas eles sabem respeitar minha necessidade de isolamento quando estou no velho moinho em St. Martin, na França.
C] Preciso sair para comprar cola.
Sim, acabo de lembrar-me que ontem estava faltando cola, que tal pegar o carro e ir até a cidade mais próxima? E neste pensamento me detenho. Por que é tão difícil ficar como estou agora, sem fazer nada? Uma série de pensamentos cruza minha cabeça: amigos que se preocupam com coisas que ainda não aconteceram, conhecidos que sabem preencher cada minuto de suas vidas com tarefas que me parecem absurdas, conversas sem sentido, telefonemas longos para não dizer nada de importante. Chefes que inventam trabalho para justificar seus cargos, funcionários que ficam com medo porque não lhes foi dado nada de importante para fazer aquele dia e isso pode significar que já não são mais úteis, mães que se torturam porque os filhos saíram, estudantes que se torturam por estudos, provas, exames. Travo uma longa e difícil luta comigo mesmo para não me levantar e ir até a papelaria comprar a cola que está faltando. A angústia é imensa, mas estou decidido a ficar aqui, sem fazer nada, pelo menos por algumas horas. Pouco a pouco, a ansiedade vai cedendo lugar a contemplação, e eu começo a escutar minha alma. Ela estava louca para conversar comigo, mas eu vivo ocupado.
O vento continua soprando muito forte, sei que está frio, que chove, e que amanhã talvez eu precise comprar cola. Não estou fazendo nada, e estou fazendo a coisa mais importante na vida de um homem: estou escutando o que eu precisava ouvir de mim mesmo.