quarta-feira, março 29, 2006
O caminho do arco com o tiro
Uma ação é um pensamento que se manifesta.
Um pequeno gesto nos denuncia, de modo que temos que aperfeiçoar tudo, pensar nos detalhes, aprender a técnica de tal maneira que ela se torne intuitiva. Intuição nada tem a ver com rotina, mas com um estado de espírito que está além da técnica.
Assim, depois de muito praticar, já não pensamos em todos os movimentos necessários: eles passam a fazer parte da nossa própria existência. Mas para isso, é preciso treinar e repetir.
E como se não bastasse, é preciso repetir e treinar.
Observe um bom ferreiro trabalhando o aço. Para o olhar destreinado, ele está repetindo as mesmas marteladas.
Mas quem conhece a importância do treinamento, sabe que cada vez que ele levanta o martelo e o faz descer, a intensidade do golpe é diferente. A mão repete o mesmo gesto, mas à medida que se aproxima do ferro, ela compreende que se deve tocá-lo com mais dureza ou mais suavidade.
Observe o moinho. Para quem olha suas pás apenas uma vez, ele parece girar com a mesma velocidade, repetindo sempre o mesmo movimento.
Mas aquele que conhece os moinhos sabe que eles estão condicionados ao vento, e mudam de direção sempre que for necessário.
A mão do ferreiro foi educada depois que ele repetiu milhares de vezes o gesto de martelar. As pás do moinho são capazes de se moverem com velocidade depois que o vento soprou muito, e fez com que suas engrenagens ficassem polidas.
O arqueiro permite que muitas flechas passem longe do seu objetivo, porque sabe que só irá aprender a importância do arco, da postura, da corda, e do alvo, depois que repetir seus gestos milhares de vezes, sem medo de errar.
Até que chega o momento em que não é mais preciso pensar no que se está fazendo. A partir daí, o arqueiro passa a ser seu arco, sua flecha, e seu alvo.
Como observar o vôo da flecha
A flecha é a intenção que se projeta no espaço.
Uma vez que foi disparada, já não há mais nada que o arqueiro possa fazer, a não ser acompanhar o seu percurso em direção ao alvo. A partir desse momento, a tensão necessária para o tiro já não tem mais razão para existir.
Portanto, o arqueiro mantém os olhos fixos no vôo da flecha, mas seu coração repousa, e ele sorri.
Nesse momento, se treinou o bastante, se conseguiu desenvolver seu instinto, se manteve a elegância e a concentração durante todo o processo do disparo, ele sentirá a presença do universo, e verá que sua ação foi justa e merecida.
A técnica faz com que as duas mãos estejam prontas, que a respiração seja precisa, e que os olhos possam fixar o alvo. O instinto faz com que o momento do disparo seja perfeito.
Quem passar por perto e ver o arqueiro de braços abertos, com os olhos acompanhando a flecha, irá achar que está parado. Mas os aliados sabem que a mente de quem fez o disparo mudou de dimensão, está agora em contacto com todo o universo: ela continua trabalhando, aprendendo tudo o que aquele disparo trouxe de positivo, corrigindo os eventuais erros, aceitando suas qualidades, esperando para ver como o alvo reage ao ser atingido.
Quando o arqueiro estica a corda, pode ver o mundo inteiro dentro do seu arco. Quando acompanha o vôo da flecha, este mundo se aproxima dele, o acaricia, e faz com que tenha a sensação perfeita do dever cumprido.
Um guerreiro da luz, depois que cumpre seu dever e transforma sua intenção em gesto, não precisa temer mais nada: ele fez o que devia. Não se deixou paralisar pelo medo – mesmo que a flecha não atinja o alvo, ele terá outra oportunidade, porque não foi covarde.
Tiros certeiros
De uma mãe para a sua filha
No mundo inteiro, não há ninguém como eu. Sou dona de meu corpo, meus pensamentos, minhas idéias. Pertencem a mim as imagens que meus olhos contemplam, e eu as escolhi. Possuo minhas próprias fantasias, meus sonhos, esperanças e medos. E já que sou dona de mim, preciso me conhecer intimamente. Há aspectos de mim que me confundem, outros que não conheço. Mas, esteja ou não de acordo com tudo que sou, isto é autêntico, e representa o que vivo neste momento.
De um bispo anglicano
Quando eu era jovem e livre, sonhava em mudar o mundo. Na maturidade, descobri que o mundo não mudaria - então resolvi transformar meu país. Depois de algum esforço, terminei por entender que isto também era impossível. No final de meus anos, procurei mudar minha família, mas eles continuaram a ser como eram.
Agora, no leito de morte, descubro que minha missão era mudar a mim mesmo. Se tivesse feito isto, eu seria capaz de transformar minha família. Então, com um pouco de sorte, esta mudança afetaria meu país e - quem sabe - o mundo inteiro.
Midrach Rabba sobre o Eclesiastes
Quando o homem vem ao mundo, suas mãos estão sempre fechadas como se quisesse dizer: ele é meu, e conseguirei dominá-lo.
Quando o homem parte do mundo, suas mãos estão sempre abertas como se quisesse dizer: não tenho nada em meu poder.Tudo que posso levar são minhas lembranças, tudo que posso deixar são meus exemplos.
Kahlil Gibran para Mary Haskell
Nós dois estamos procurando tocar os limites da existência. Os grandes poetas do passado sempre se entregavam à Vida. Eles não procuravam uma coisa determinada, nem tentavam desvendar segredos: simplesmente permitiam que suas almas fossem arrebatadas pelas emoções.
Hoje, as pessoas estão sempre buscando segurança, e às vezes conseguem: mas a segurança é um fim em si, e a Vida não tem fim. Poetas não são aqueles que escrevem poesia, mas todos os que têm o coração cheio do espírito sagrado do Amor.
Epictetus para seus discípulos
Duas coisas podem acontecer quando nos encontramos com alguém: ou nos tornamos amigos, ou tentamos convencer esta pessoa a aceitar nossas convicções. O mesmo acontece quando a brasa encontra um outro pedaço de carvão: ou compartilha seu fogo com ele, ou é sufocada por seu tamanho, e termina se extinguindo.
Como geralmente somos inseguros num primeiro contacto, tentamos a indiferença, a arrogância, ou a excessiva humildade. O resultado é que deixamos de ser quem somos, e as coisas passam a se dirigir para um estranho mundo que não nos pertence.
Kandinsky para seus quadros
Pintar é uma arte. E a arte é um poder que deve ser dirigido para o crescimento da alma. Se a arte não realiza este trabalho, o abismo que nos separa de Deus permanece sem uma ponte.
O artista deve o seu talento a Deus, e precisa saldar este débito. Para isto, é necessário trabalhar duro, saber que é livre em sua arte, mas não em seu compromisso com a vida. Tudo o que sente e pensa é parte da matéria-prima com que irá melhorar a atmosfera espiritual a sua volta.
A beleza, seja na arte, seja em uma mulher, não pode ser vazia; precisa estar a serviço do homem e do mundo.
terça-feira, março 28, 2006
Reflexão da semana
"Todos desejam crescer interiormente e poucos se permitem a tal avanço.
Muitas vezes atitudes benéficas são abortadas, atrasando constantemente uma
nova consciência. Liberdade de expressão é permitir-se ao novo, é deixar
para trás o que não faz parte do seu crescimento pessoal, é direcionar a
sua atenção somente para o seu propósito de vida: o enobrecimento de seu
Ser. Ser livre é romper as suas próprias barreiras, é permanecer atento as
suas próprias atitudes, no sentido de determinar o bem estar e o seu auto
crescimento. Liberte-se de seus bloqueios, de seus medos, de suas aflições,
dos seus condicionamentos, sinta o Amor em seu coração e permita-se bem
viver o que está reservado ao seu destino."
http://www.institutouniao.com.br
Um amor ultimo - bnoeli

Um último amor - bnoeli
quinta-feira, março 23, 2006
A pessoa errada
Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivência
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa prá gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar prá pensar
é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento, cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo, conseguindo
E sendo assim
É possível chegar naquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças a Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Prá que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
(Luis Fernando Veríssimo)
Se entendeu, vem falar no meu ouvido, vem...

Acho que entendi mais ou menos o que é o amor,vamos lá.
Você está sozinho,em frente a tv,devora duas barras de chocolate,enquanto espera o telefone tocar....
Bem que podia ser hoje,bem que podia ser agora,um amor novinho em folha...
Trimmmmm!
É sua mãe,quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia.Amor não atende com hora marcada.
Ele pode chegar chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha,sem disposição para relacionamentos sérios,ele passa batido e você nem aí.Ele pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida,desconfiado,cheio de olheiras.O amor dá meia-volta,porque o amor nunca chega na hora certa.
O amor aparece quando menos se espera menos se imagina.Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga,e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você.O amor é que nem tesourinha de unhas,nunca está onde a gente pensa.
O amor está em todos os lugares,você que não procura direito.Aprenda uma coisa:"o amor é imprevisível."Jamais espere ouvir "eu te amo",num jantar a luz de velas,no dia dos namorados,Ou receber flores logo após a primeira transa.
O amor odeia clichês.Você vai ouvir eu te amo,numa terça-feira,às quatro da tarde,depois de uma discussão.Idealizar é sofrer!Amar é surpreender!Talvez tenhamos que conhecer algumas pessoas erradas,antes de encontrar a pessoa certa.Talvez a pessoa certa,você considera a mais errada,que só quer curtir,mas que um dia te fará feliz,e para que isso aconteça,só depende de você,pois ao encontrá-lo,agradecerá por esta benção.
Porém,estamos tão presos aquela porta fechada que não somos capazes de ver o novo caminho que se abriu,podendo estar ao seu lado.Não busque boas aparências,elas podem mudar.Encontre aquela pessoa que te faça dar gargalhadas ao contar uma piadinha...que faça seu coração sorrir.Há momentos na vida que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraça-la.
Sonhe com aquilo que você quiser,faça aquilo que você querer,vá para onde você queira ir,seja o que você quer ser,porque possuímos apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Então pense nisso:"As pessoas entram em nossa vida por acaso,mas não é por acaso que permanecem..."
Signo Aquário
Período do signo:20 janeiro -19 fevereiroPlaneta regente: UranoCor: TurquesaPedra: Água-MarinhaMetal: UrânioO aquariano éimprevisível, cordial ehumanitário.É compreensivo e temperspectivas progressistas.Sua personalidade émuito complexa,tornando difícilescrever a seu respeito eprincipalmente generalizar,porque são os individualistasdo zodíaco e discordarãosempre sobre aspossíveis característicascompartilhadas com osdemais signos.
Signo Áries
Período do signo:
21 março - 20 abril
Planeta regente: Marte.
Cor: Vermelho
Pedra: Diamante
Metal: Ferro
Existem em todo ariano
um espírito de pioneirismo.
Gosta de ser o primeiro.
Os arianos são diretos,
pessoas simples que têm
uma perspectiva lógica e
objetiva a respeito da
vida e de seus problemas.
Gostam de atacar um
problema e podem ser
agressivos verbalmente.
O ariani é exaltado
e muito sensual.
Será capaz de buscar a
ferro e fogo a pessoa
que escolheu.
http://www.homemsonhador.com/SignoImagens.html
terça-feira, março 21, 2006
O kiwi e o livro

“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado; um amigo que espera”. H. Spencer
Certo dia, um amigo disse-me que kiwi é uma fruta muito rica em vitamina C, até mais do que a laranja.Por isso resolvi comprá-la, mas na feira.Pois sendo algo que não se encontra sempre, achei que devia ser muito caro.E era!
O fruto, de aparência “bílica” não me agradou. Ainda mais com aquele preço! Não comprei naquele dia nem em nenhum outro. Fui comer kiwi pela primeira vez em um restaurante, quando pedi de sobremesa uma salada de frutas.
Porém, naquela mesma semana fui a uma livraria e comprei um livro que custava vinte e cinco vezes mais!
Claro que tudo é uma questão de valores. O que é importante, não costumo olhar preço. E para mim, livro é uma paixão!
Aprendi a gostar de livros com meu pai. Ele os comprava e me fazia ler em voz alta.
Certa vez trouxe um de caligrafia, cada página um texto e um formato de letra. E mesmo aquela mais difícil, insistia para eu ler.
Quando eu tinha doze anos ele foi para a eternidade, mas deixou-me como herança um amor imenso pelas letras.
Com o passar dos anos, fui percebendo que um livro é muito mais do que papel, tinta e símbolos.Há dentro dele um universo de idéias, emoções e sensações.Ali, a imaginação não tem limites!
A obra de Kafka, com seu realismo fantástico!
E os livros de Umberto Eco? “O nome da Rosa” levou-me a uma viajem fantástica pelos corredores de sua biblioteca medieval, com tramas e assassinatos misteriosos.
As crônicas de Marcelo Gleiser - Micro Macro - um aprendizado delicioso sobre o ser humano, o conhecimento, a ciência.
Impagável o humor refinado e inteligente de Luis Fernando Veríssimo.
Portanto, um livro é uma ferramenta com a qual, através da linguagem, o ser humano encontra um caminho para dizer o que sente, pensa e imagina.
Quando compro um livro, não me importo com o preço, pois sei que os valores das informações inseridas nele valem sempre muito mais do que ele custa.
Certa vez, minha mãe veio mostrar-me uma roupinha de neném, “olha que gracinha”, disse-me ela, você usou quando era pequena!Olhei com indiferença para a peça, achei uma bobagem que ela a guardasse durante tantos anos. Aborrecida, perguntou-me “afinal, você gosta de quê?” “De livros”, respondi-lhe.
Estive na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, e diverti-me muito. Conheci pessoas cultas e inteligentes.Fiz amizade com gente interessante.
Foram oito horas de muita informação, bons papos, boa companhia, inclusive da amiga que foi comigo.
Voltei para casa com onze livros, um DVD, duas assinaturas de revistas.
Ganhei três pastas, cinco canetas, dez revistas, muitos marcadores.
Saí de lá endividada, carreguei peso, mas senti-me bem mais feliz do que no dia em que fui à feira comprar kiwi...
segunda-feira, março 20, 2006
Sábado na Bienal

Adoro livros!
Aprendi a gostar deles com meu pai, que me dava de
presente e depois pedia que eu lesse para ele.Estive na Bienal Internacional do Livro e me diverti
muito. Foram 8 horas de muita informação, bons papos, boa companhia,
inclusive
da amiga que foi comigo.Voltei para casa com onze livros, um DVD, duas
assinaturas de revistas. Ganhei três pastas, cinco canetas, dez revistas,
muitos
marcadores de livros...Uma
delícia!
domingo, março 19, 2006
No final do túnel negro
- Vi apenas um túnel.
No bar em Sibiu, na Transilvânia, Sorin olha-me no fundo dos olhos. Vai um pouco mais adiante.
- Vi um túnel negro com um homem no final, que me fazia sinais.
Eu espero. Temos todo o tempo do mundo e eu me lembro que, quando estive na mesma situação, vi também um túnel, só que levava até um hotel no Rio de Janeiro, o Hotel Glória. Olhei aquele hotel, esperei o pior, e pensei: “não é justo: tenho apenas 26 anos!”. Justo ou não, na madrugada do dia 27 de maio de 1974, eu estava diante da morte, e não conseguia ver o que acontecia ao meu lado. Só o túnel e o hotel. Mas minha história não vem ao caso; serve apenas para dizer que entendo perfeitamente o que Sorin está me contando neste bar perdido no meio dos Montes Cárpatos.
- Vi apenas um túnel negro, com um homem apontando uma arma para mim, e dizendo para que eu descesse do carro.
O calvário de Sorin Miscoci começou no dia 28 de março de 2005, perto de Bagdad. Tinha sido designado para passar uma semana ali, a pedido de uma estação de TV da Romênia. Terminou seqüestrado por 55 dias.
- Mais tarde, quando fui libertado, os agentes de segurança americanos me perguntaram quantas pessoas estavam ali. E eu disse: uma. Eles riram e disseram que não podia ser assim. Foi o psicólogo quem me ajudou, explicando que em situações como esta, nada que está em volta tem importância. Você vê apenas o foco da crise, o que lhe ameaça, e simplesmente esquece todo o resto.
Sorin acaba de casar-se com Andréa, que lhe acaricia a mão. Estamos viajando juntos há três dias, e continuaremos outra semana atravessando os montes Cárpatos. Eu conhecia sua história, mas esperei até que estivesse em sua cidade Natal para perguntar os detalhes. Cristina Topescu, uma amiga de longa data, jornalista da mesma TV para a qual Sorin trabalha, também está na mesa. Conta que, na hora de mobilizar o país, poucos colegas se apresentaram para ir falar com o Presidente da República, com medo de perder o emprego.
- O pior foi quando eu vi Sorin com o macacão laranja e a cabeça raspada, em um vídeo que foi entregue à Al-Jazeera (canal árabe baseado no Qatar) – diz Cristina. – Era um sinal de que a execução não devia tardar.
- Eu pedi apenas uma coisa a Deus: morrer com um tiro no coração. Já tinha visto vídeos de prisioneiros sendo decapitados; pedi, implorei para ser fuzilado – completa Sorin.
Andréa lhe dá um beijo. Ele sorri, pergunta se eu quero continuar naquele restaurante, ou se devemos ir até o único karaokê de Sibiu. Prefiro cortar a conversa por ali, melhor cantarmos juntos. Nosso grupo se levanta, tento pagar a conta, mas ela foi oferecida pelo restaurante, em homenagem ao herói local, aquele que sobreviveu apesar de tudo.
No caminho da discoteca, penso no túnel negro: sem querer romantizar uma situação dramática, entendo que isso se passa com todo mundo. Quando estamos diante de algo que realmente nos ameaça, é impossível olhar à volta, embora este seja o procedimento correto e mais seguro. Não conseguimos ver claro, usar a lógica, conseguir informações que podem ajudar a nós mesmos e aos que procuram nos tirar daquela situação. No amor e na guerra somos humanos, graças a Deus.
Chegamos ao karaokê, bebemos um pouco mais, cantamos Elvis, Madonna, Ray Charles. Nosso grupo é interessante: Lacrima, que foi abandonada pela mãe quando tinha apenas dois meses. Leonardo, que vem de uma depressão de dois anos. Cristina Topescu, que superou momentos difíceis recentemente. Sorin com seus 55 dias de cativeiro, e Andréa, que quase perdeu a pessoa que amava. Eu, com minhas cicatrizes no corpo e na alma.
E mesmo assim bebemos, cantamos, celebramos a vida. Ter amigos como estes me dá mais do que esperança; me faz entender que os verdadeiros sobreviventes jamais serão vítimas de seus algozes, porque conseguem manter o que há de mais importante no ser humano: a alegria.
E onde houver alegria depois da tragédia, haverá sempre um exemplo a ser seguido.
Paulo Coelho
terça-feira, março 14, 2006
O primeiro amor virtual a gente nunca esquece - parte II
Eros2002: não conheço essa palavra.
Psique: é uma forma de chamar alguém...
Eros2002: estava me chamando?
Psique: brincando com você, "cutucando"...rs
Eros2002: você está ok, que bom!
Psique: sim!
Eros2002: ok, você é mel!
Eros2002: oi?
Psique: eu?
Eros2002: sim, mel!
Psique: páre!
Eros2002: porquê?
Eros2002: mel...
Psique: olha o que combinamos...
Eros2002: ok, menina.
Eros2002: e o psiu ?
Eros2002: que me conta, psiu?
Psique: eu vou brigar ...
Eros2002: não, que eu não deixo!
Eros2002: você é sensual...
Psique: sim, mas lembre-se de que eu fico ...
Eros2002: ok, mas você é muito doce!
Psique: obrigada!
Eros2002: nada!
Eros2002: é um pouco tarde para mim, vou me deitar.
Psique: então vá.
Eros2002: posso telefonar amanhã bem cedinho?
Psique: pode!
Eros2002: ok.
Eros2002: beijos...
Eros2002: fofinha...
Psique: beijos!
Eros2002: xau!
Psique: xau!
Eros2002: mel...
Psique: você não tem jeito mesmo!
Eros2002: ok.
Eros2002: xau!
Psique: vai me ligar a que hora?
Eros2002: na madrugada...mel
segunda-feira, março 13, 2006
Astronomia Antiga
As especulações sobre a natureza do Universo devem remontar aos tempos pré-históricos, por isso a astronomia é frequentemente considerada a mais antiga das ciências. Desde a antiguidade, o céu vem sendo usado como mapa, calendário e relógio. Os registros astronômicos mais antigos datam de aproximadamente 3000 a.C. e se devem aos chineses, babilônios, assírios e egípcios. Naquela época, os astros eram estudados com objetivos práticos, como medir a passagem do tempo (fazer calendários) para prever a melhor época para o plantio e a colheita, ou com objetivos mais relacionados à astrologia, como fazer previsões do futuro, já que, não tendo qualquer conhecimento das leis da natureza (física), acreditavam que os deuses do céu tinham o poder da colheita, da chuva e mesmo da vida.
Vários séculos antes de Cristo, os chineses sabiam a duração do ano e usavam um calendário de 365 dias. Deixaram registros de anotações precisas de cometas, meteoros e meteoritos desde 700 a.C. Mais tarde, também observaram as estrelas que agora chamamos de novas.
Os babilônios, assírios e egípcios também sabiam a duração do ano desde épocas pré-cristãs. Em outras partes do mundo, evidências de conhecimentos astronômicos muito antigos foram deixadas na forma de monumentos, como o de Stonehenge, na Inglaterra, que data de 3000 a 1500 a.C.
Em Stonehenge, cada pedra pesa em média 26 ton. A avenida principal que parte do centro da monumento aponta para o local no horizonte em que o Sol nasce no dia mais longo do verão (solstício). Nessa estrutura, algumas pedras estão alinhadas com o nascer e o pôr do Sol no início do verão e do inverno. Os maias, na América Central, também tinham conhecimentos de calendário e de fenômenos celestes, e os polinésios aprenderam a navegar por meio de observações celestes.
O ápice da ciência antiga se deu na Grécia, de 600 a.C. a 400 d.C., a níveis só ultrapassados no século XVI. Do esforço dos gregos em conhecer a natureza do cosmos, e com o conhecimento herdado dos povos mais antigos, surgiram os primeiros conceitos de Esfera Celeste, uma esfera de material cristalino, incrustada de estrelas, tendo a Terra no centro. Desconhecedores da rotação da Terra, os gregos imaginaram que a esfera celeste girava em torno de um eixo passando pela Terra. Observaram que todas as estrelas giram em torno de um ponto fixo no céu e consideraram esse ponto como uma das extremidades do eixo de rotação da esfera celeste.
Há milhares de anos, os astrônomos sabem que o Sol muda sua posição no céu ao longo do ano, se movendo aproximadamente um grau para leste por dia. O tempo para o Sol completar uma volta na esfera celeste define um ano. O caminho aparente do Sol no céu durante o ano define a eclíptica (assim chamada porque os eclipses ocorrem somente quando a Lua está próxima da eclíptica).
Como a Lua e os planetas percorrem o céu em uma região de dezoito graus centrada na eclíptica, essa região é definida como o Zodíaco, dividida em doze constelações, várias com formas de animais (atualmente as constelações do Zodíaco são treze: Áries, Touro, Gêmeos, Cancer, Leão, Virgem, Escorpião, Ofiúco, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes).
As constelações são grupos aparentes de estrelas. Os antigos gregos, e os chineses e egípcios antes deles, já tinham dividido o céu em constelações.
Os astrônomos antigos
Tales de Mileto (624 - 546 a.C.) introduziu na Grécia os fundamentos da geometria e da astronomia, trazidos do Egito. Pensava que a Terra era um disco plano em uma vasta extensão de água.
Pitágoras de Samos (572 - 497 a.C.) acreditava na esfericidade da Terra, da Lua e de outros corpos celestes. Achava que os planetas, o Sol, e a Lua eram transportados por esferas separadas da que carregava as estrelas. Foi o primeiro a chamar o céu de cosmos.
Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) explicou que as fases da Lua1 dependem de quanto da parte da face da Lua iluminada pelo Sol está voltada para a Terra. Explicou, também, os eclipses: um eclipse do Sol ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol; um eclipse da Lua ocorre quando a Lua entra na sombra da Terra. Aristóteles argumentou a favor da esfericidade da Terra, já que a sombra da Terra na Lua durante um eclipse lunar é sempre arredondada. Afirmava que o Universo é esférico e finito. Aperfeiçoou a teoria das esferas concêntricas de Eudoxus de Cnidus (408-355 a.C.), propondo eu seu livro De Caelo, que "o Universo é finito e esférico, ou não terá centro e não pode se mover."
Heraclides de Pontus (388-315 a.C.) propôs que a Terra gira diariamente sobre seu próprio eixo, que Vênus e Mercúrio orbitam o Sol, e a existência de epiciclos.
Aristarco de Samos (310-230 a.C.) foi o primeiro a propor a Terra se movia em volta do Sol, antecipando Copérnico em quase 2000 anos. Entre outras coisas, desenvolveu um método para determinar as distâncias relativas do Sol e da Lua à Terra e mediu os tamanhos relativos da Terra, do Sol e da Lua.
Eratóstenes de Cirênia (276-194 a.C.), bibliotecário e diretor da Biblioteca Alexandrina de 240 a.C. a 194 a.C., foi o primeiro a medir o diâmetro da Terra.
Ele notou que, na cidade egípcia de Siena (atualmente chamada de Aswân), no primeiro dia do verão, ao meio-dia, a luz solar atingia o fundo de um grande poço, ou seja, o Sol estava incidindo perpendicularmente à Terra em Siena.
Já em Alexandria, situada ao norte de Siena, isso não ocorria; medindo o tamanho da sombra de um bastão na vertical, Eratóstenes observou que em Alexandria, no mesmo dia e hora, o Sol estava aproximadamente sete graus mais ao sul. A distância entre Alexandria e Siena era conhecida como de 5000 estádios. Um estádio era uma unidade de distância usada na Grécia antiga. Um camelo atravessa 100 estádios em um dia, e viaja a cerca de 16 km/dia. Como 7 graus corresponde a 1/50 de um círculo (360 graus), Alexandria deveria estar a 1/50 da circunferência da Terra ao norte de Siena e a circunferência da Terra deveria ser 50×5000 estádios. Infelizmente, não é possível se ter certeza do valor do estádio usado por Eratóstenes, já que os gregos usavam diferentes tipos de estádios. Se ele utilizou um estádio equivalente a 1/6 km, o valor está a 1% do valor correto de 40000 km. O diâmetro da Terra é obtido dividindo-se a circunferência por .
Hiparco de Nicéia (160 - 125 a.C.), considerado o maior astrônomo da era pré-cristã, construiu um observatório na ilha de Rodes, onde fez observações durante o período de 160 a 127 a.C. Como resultado, ele compilou um catálogo com a posição no céu e a magnitude de 850 estrelas. A magnitude, que especificava o brilho da estrela, era dividida em seis categorias, de 1 a 6, sendo 1 a mais brilhante, e 6 a mais fraca visível a olho nu. Hiparco deduziu corretamente a direção dos pólos celestes, e até mesmo a precessão, que é a variação da direção do eixo de rotação da Terra devido à influência gravitacional da Lua e do Sol, que leva 26000 anos para completar um ciclo.2Para deduzir a precessão, ele comparou as posições de várias estrelas com aquelas catalogadas por Timocharis de Alexandria e Aristyllus de Alexandria 150 anos antes (cerca de 283 a.C. 260 a.C.). Estes eram membros da Escola Alexandrina do século III a.C. e foram os primeiros a medir as distâncias das estrelas de pontos fixos no céu (coordenadas eclípticas). Foram, também, dos primeiros a trabalhar na Biblioteca de Alexandria, que se chamava Museu, fundada pelo rei do Egito, Ptolémée Sôter Ier, em 305 a.C..
Hiparco também deduziu o valor correto de 8/3 para a razão entre o tamanho da sombra da Terra e o tamanho da Lua e também que a Lua estava a 59 vezes o raio da Terra de distância; o valor correto é 60. Ele determinou a duração do ano com uma margem de erro de 6 minutos.
Ptolomeu (85 d.C. - 165 d.C.) (Claudius Ptolemaeus) foi o último astrônomo importante da antiguidade. Ele compilou uma série de treze volumes sobre astronomia, conhecida como o Almagesto, que é a maior fonte de conhecimento sobre a astronomia na Grécia.
Reprodução de parte do Almagesto, de Claudius Ptolomaeus, escrito entre 127 e 151 d.C. O termo Almagesto é uma contração de Megiste Syntaxis (grande coleção). A contribuição mais importante de Ptolomeu foi uma representação geométrica do sistema solar, geocêntrica, com círculos e epiciclos, que permitia predizer o movimento dos planetas com considerável precisão e que foi usado até o Renascimento, no século XVI.
Como medir distâncias no espaço
O mundo não é chato
Eratóstenes viveu no Egito entre os anos 276 e 194 antes de Cristo. Ele era bibliotecário chefe da famosa Biblioteca de Alexandria e foi lá que encontrou, num velho papiro, indicações de que ao meio-dia de cada 21 de Junho em Siena, 800 km ao sul de Alexandria, uma vareta fincada verticalmente no solo não produzia sombra. Cultura inútil, diriam alguns. Não para um homem observador como Eratóstenes. Ele percebeu que o mesmo fenômeno não ocorria no mesmo dia e horário em Alexandria e pensou:
- Se o mundo é plano como uma mesa, então as sombras das varetas têm de ser iguais. Se isto não acontece é porque a Terra deve ser curva!
Mais do que isso. Quanto mais curva fosse a superfície da Terra, maior seria a diferença no comprimento das sombras. O Sol deveria estar tão longe que seus raios de luz chegam à Terra paralelos. Varetas fincadas verticalmente no chão em lugares diferentes lançariam sombras de comprimentos distintos. Eratóstenes decidiu fazer um experimento. Ele mediu o comprimento da sombra em Alexandria ao meio-dia de 21 de Junho, quando a vareta em Siena não produzia sombra. Assim obteve o ângulo A, Para Eratóstenes, A=7°. E se as varetas estão na vertical, dá para imaginar que se fossem longas o bastante iriam se encontrar no centro da Terra. Preste atenção na figura acima. O ângulo B terá o mesmo valor que A, pois o desenho de Eratóstenes se reduz a uma geometria muito simples: se duas retas paralelas interceptam uma reta transversal, então os ângulos correspondentes são iguais.
As retas paralelas são os raios de luz do Sol e a reta transversal é a que passa pelo centro da Terra e pela vareta em Alexandria. O ângulo B (também igual a 7°), é a uma fração conhecida da circunferência da Terra e corresponde a distância entre Siena e Alexandria! Eratóstenes sabia que essa distância valia cerca de 800 km porque tinha alugado um homem para medi-la em passos, e então pensou: 7° 1/50 da circunferência (360°) e corresponde a cerca de 800 km. Oitocentos quilômetros vezes cinqüenta são 40.000 km, de modo que deve ser este o valor da circunferência da Terra.
Valor encontrado atualmente: cerca de 40.072 km ao longo da linha do equador. Um erro muito pequeno para uma medida tão simples, e feita há tanto tempo! Com a circunferência, podemos calcular o diâmetro e o raio ou ainda o volume e a área da superfície, através de fórmulas simples.
Repare que tudo o que Eratóstenes precisou foi um pouco de raciocínio sobre um fenômeno aparentemente trivial, como o comprimento das sombras produzidas por varetas. O conhecimento utilizado é, nos dias de hoje, formalmente adquirido nas aulas de geometria do primeiro grau!
Como medir distâncias no espaço
Da Terra à Lua... usando o astrolábio
Para medir a distância da Terra à Lua, Hiparco (190-120 a.C.) não precisou nem mesmo do diâmetro da Terra. Ele imaginou uma geometria com a qual, durante um eclipse lunar, isto é, quando a Terra fica exatamente entre o Sol e a Lua, seria possível calcular a distância da Terra à Lua. Hiparco foi um dos maiores astrônomos gregos e entre suas muitas contribuições estão os fundamentos da trigonometria.
Aliás, sua construção geométrica baseia-se justamente na medida de ângulo. Hiparco imaginou dois triângulos retângulos cujas hipotenusas ligariam o centro da Terra às bordas do disco solar e lunar, por ocasião de um eclipse da Lua.Eclipse lunar, isto é, quando a Terra fica exatamente entre o Sol e a Lua, seria possível calcular a distância da Terra à Lua. Hiparco foi um dos maiores astrônomos gregos e entre suas muitas contribuições estão os fundamentos da trigonometria.
Aliás, sua construção geométrica baseia-se justamente na medida de ângulos. Hiparco imaginou dois triângulos retângulos cujas hipotenusas ligariam o centro da Terra às bordas do disco solar e lunar, por ocasião de um eclipse da Lua.
Podemos notar que a duração de um eclipse lunar é equivalente a duas vezes o ângulo d. Vamos escrever nossa primeira equação: 2 × d = T1. O período orbital da Lua, ou seja, o tempo que ela gasta para completar uma volta (360°) em torno da Terra já era conhecido. Vamos representá-lo como T2 e escrever a segunda equação: 360 = T2. Como podemos medir o tempo T1, a única variável é d, obtida com as duas equações numa regra de três simples e direta.
O ângulo c é chamado semi-diâmetro do Sol, ou seja, a metade do ângulo pelo qual vemos o disco solar. O ângulo a é tão pequeno que pode ser desprezado, ele representa a metade do ângulo pelo qual um observador no Sol veria a Terra. Dos estudos de trigonometria básica extraímos a propriedade pela qual a + b = c + d. Como a é muito pequeno basta-nos escrever b = c + d.
A engenhosa geometria que Hiparco utilizou para medir a distância
Terra-Lua é trivial para Qualquer bom aluno de 2°grau.
Bom, mas o Hiparco queria mesmo era X, você não acha? Porém note que o seno de b será R ÷ X. Se ele calculasse b obteria o seu seno, consultando as velhas tábuas trigonométricas. Sobraria R, o raio da Terra. Mas Hiparco poderia expressar o resultado como uma função de R, isto é, quantos raios da Terra existem até a Lua, o que já seria um excelente resultado.
Hiparco obteve como resposta um valor de X entre 62 e 74 vezes R. O resultado real fica entre 57 e 64, mas seu erro é justificável face a precisão requerida nas medidas angulares. Mas acima de tudo, que método elegante, que conclusão arrebatadora!
Como medir distâncias no espaço
O método da paralaxe
Existem diversas maneiras de se obter uma mesma medida. No caso da distância da Terra à Lua, por exemplo, podemos usar o método da paralaxe. O termo paralaxe designa um ângulo entre dois segmentos de reta que partem de um determinado astro e se dirigem um para o centro da Terra e o outro para o observador.
Este método baseia-se na comparação de observações da Lua feitas por dois observadores em pontos extremos da Terra, quando então se obtêm uma diferença angular, usada para calcular a distância Terra - Lua, conhecido o raio da Terra.
O Método da paralaxe aplicado à medida Terra -Lua.
Estando cada observador sobre um mesmo meridiano a Terra, ao fotografarem a Lua, cada um deles verá o satélite contra um fundo de estrelas ligeiramente diferente. Comparando suas fotos com um bom atlas celeste eles medirão o ângulo 2p , e naturalmente, terão p.
Recordando que o seno de um ângulo é igual ao cateto oposto a esse ângulo, dividido pela hipotenusa do triângulo retângulo, é fácil ver que o seno de p (um valor conhecido) será igual ao raio da Terra (também conhecido) dividido pela distância do centro da Terra até a Lua (a incógnita). Basta rearranjar a equação e subtrair o raio terrestre do resultado para obtemos a distância (aproximada) até a Lua.
Faça você mesmo!
O método anterior é simples e viável, embora o resultado obtido seja sempre um valor aproximado. A seguir propomos a obtenção de um outro método, imaginado por você mesmo, tendo como referência o anterior. Apanhe o velho e bom lápis, uma folha de papel e mãos à obra!
· Você conhece o raio da Terra, R, e está no sul da África, medindo o ângulo A que a Lua faz com a vertical do lugar. Um amigo seu faz o mesmo, medindo A' na Europa, sendo que ambos estão sobre um mesmo meridiano terrestre. Apenas com essas informações, construa uma geometria capaz de obter a distância da Terra à Lua.
Este problema não é original. Ele foi solucionado no século XVIII pela dupla Lalande (em Berlim) e Lacaille (no Cabo da Boa Esperança), mas permite algumas variações bastante criativas. Pense um pouco.
Como medir distâncias no espaço
Aristarco de Samos e a distância Terra - Sol
Aristarco de Samos (310-230 a.C.) acreditava que a Terra se movia em torno do Sol e estudava um modo de medir a distância do Sol e o tamanho da Lua. Na mesma época de Eratóstenes, ele usou uma geometria elegante e de extrema simplicidade para medir a distância Terra - Sol, já conhecendo a distância da Terra à Lua. O que nos leva a imaginar o quanto da sabedoria antiga se perdeu ao longo da história.
Repare como é simples. Aristarco sabia que quando a Lua exibia um quarto iluminada (crescente ou minguante) era possível desenhar o triângulo retângulo da figura abaixo. A distância B corresponde a que existe entre a Terra e a Lua, o ângulo A à separação angular entre a Lua e o Sol, visto por um observador na Terra. Então, para calcular a distância C basta lembrar que ela é B dividida pelo cosseno do angulo A, pois o cosseno de um ângulo é a medida do cateto adjacente a esse ângulo, no caso B, dividido pela hipotenusa do triângulo retângulo, C.
Trigonometria elementar para calcular a distância da Terra ao Sol.
cos A = B ÷ C logo C = B ÷ cos A.
É claro que tamanha simplificação traz limitações ao resultado. Porém, o maior desafio aqui é saber o instante exato da Lua em quarto crescente ou minguante, para que o ângulo A reflita um resultado pelo menos aproximado. Além disso, como precisamos de valores trigonométricos, boas tábuas tinham de ter sido elaboradas antes. Vale lembrar que, naquela época, a constante pi (3,14159...) era calculada como 22 ÷ 7.
Qual o tamanho da lua?
Todas as vezes que vemos um objeto sob um ângulo de 1 grau é porque ele está, necessariamente, afastado de nós 57 vezes o seu tamanho. Como sabemos disso? É fácil. Basta recordar o conceito de tangente e verificar que a tangente de 1° (um grau) vale aproximadamente 0,01745.
Podemos continuar o raciocínio e verificar que se observarmos um astro sob um ângulo de 30 minutos de arco (meio grau), ele estará afastado cerca de 115 vezes o seu diâmetro. Acontece que vemos a Lua Cheia sob um ângulo médio de 31 minutos de arco, o que nos diz que ela esta distante de nós cerca de 115 vezes o seu diâmetro. Se você já conhece a distância da Terra à Lua, agora também já pode saber o seu diâmetro. Daí também não será difícil calcular o volume, a área da superfície...
Conclusões
Podemos lamentar que as aulas de geometria da maioria de nós nunca tenham ido tão longe. Podemos imaginar o estado de êxtase ao qual Eratóstenes, Hiparco, Aristarco e tantos outros se depararam ao vislumbrar métodos tão simples, descobertas tão soberbas. Não tem a menor importância se os resultados divergiram dos que hoje obtemos quando disparamos um raio laser contra a Lua, e o fazemos refletir de volta, com intuitos semelhantes. Não importa, agora, que já dispomos de algoritmos que permitem medidas muito mais ousadas. Queremos ressaltar o quanto a imaginação vale mais que o conhecimento.
quarta-feira, março 08, 2006
Ofídio de escritor - Fabrício Carpinejar

O escritor não é um ser de exceção, fora de série. Não representa um semideus. Empurra o carrinho de supermercado como qualquer um. Por ser tão prosaico é capaz de observar a normalidade de um jeito especial, de se importar com a banalidade e se identificar com o que é descartado. Escrever é um trabalho solitário, mas a solidão não pode ser blindada pela arrogância. Deve ser uma solidão generosa, que abre sua varanda para as dúvidas, inquietações, diferenças e perplexidades de seus contemporâneos. Infelizmente a mistificação e a autosuficiência consolidaram o equívoco de que o escritor não depende de mais ninguém, a não ser do talento e da inspiração. E não bastam as críticas para avisar de caminhos possíveis. As resenhas desfavoráveis são classificadas de mal-intencionadas. As positivas reforçam o narcisismo. A impressão é que o escritor nasce pronto e fechado. Na verdade, não ambiciona nem o elogio, e sim a bajulação. Percebo uma passionalidade no meio autoral. Ou estão comigo ou contra mim. Não se encontra rua intermediária entre adesão e aversão. Faltam equilíbrio, humor e autocrítica, sobram pose e sectarismo. O escritor não consegue imaginar o leitor refugando seu livro. Até imagina, mas não suporta a idéia de não ser um futuro clássico. Não agüenta a hipótese de não ser lido simplesmente por não dar prazer, o que é uma justificava e tanto. Botou na cabeça que a unanimidade o espera. Adota uma postura extremista e autoritária. Confunde leitura obrigatória com leitura obrigada. Quem não gosta do que ele escreve é naturalmente um inimigo. Quem gosta é um aliado. Ao constatar resistência ao seu nome, o escritor insinua boicote e perseguição. Culpa a distribuição e a editora, não se envergonha de remanejar seu livro para a gôndola mais visível. Quando não recebe um prêmio, logo pensa que é um injustiçado, que o júri foi comprado, que é um jogo de cartas marcadas, que só funciona o lobby. Uma tática para se proteger do confronto e do julgamento é avisar que somente o tempo definirá o valor do que se escreve. Ora, não dá para ficar calado até lá, durante no mínimo meio século. Se o escritor entra na lista dos mais vendidos, é acusado pelos seus colegas de facilitar o trabalho, de piorar seu conteúdo e sua forma de expressão. Recebe a tarja de auto-ajuda, independente do gênero de sua publicação. Pena que a inveja não mata, seria muito mais fácil e um eficiente controle de natalidade na literatura. A imagem de artista incompreendido e marginal ainda persiste e provoca sucesso nos coquetéis. Os escritores aceitos pela opinião pública parecem que não prestam ou não desfrutam de competência literária. Desde quando o público não é também crítico? Por que se condena o sucesso alheio como se fosse causar infelicidade? O sucesso do outro não nos diminui, não apaga a nossa trajetória, não fecha nossas chances. Verifica-se uma limitação de mentalidade que inspira a enxergar o escritor com êxito como a exclusão do próprio êxito. Associa-se a cultura ao hermetismo e à privação de comunicação. Grande parte dos literatos quer ser Joyce, sem ao menos ler Balzac. Pensa-se que o experimentalismo não está sustentado pela tradição. Há a crença equivocada que o gênio não será entendido pela sua época. Muito menos sobreviver de seu ofício. Sempre surgirá alguém que acha a orelha de Van Gogh no seu jardim, a lembrar que o pintor não vendeu um quadro em vida. É regra afirmar que pouco importa a opinião dos outros. O que aparenta independência disfarça o egoísmo. É possível ser autodidata com as virtudes, não com os defeitos. O escritor não pode demonstrar fobia ao diálogo e receio de ser contestado. São premissas da convivência escutar o que não se quer, aprender o que não se desejava, duvidar do que se julgava pronto. Conviver é cultivar o dessemelhante, o contrário, o contraponto. Acredito que o autor verdadeiramente vivo se importará com a recepção dos leitores, em ser legível e carnal. Mudará inclusive sua voz ao ouvi-los. Essa atitude não significa submissão ao mercado ou ânsia de agradar, mas humildade e despojamento. Ele não estará escrevendo para as gavetas da escrivaninha e do cemitério, escreverá para prolongar o impacto da vida e organizar sua verdade pessoal. Defendo que o escritor seja influenciado pelos leitores. Cada vez mais. O livro não muda os leitores, os leitores é que mudam o livro. Os leitores devolvem o escritor a si mesmo.
Revista Entrelivros
Editora Duetto
domingo, março 05, 2006
Os presentes que a vida nos dá!

Os melhores presentes de aniversário que recebi não custaram muito em valor monetário, mas se tornaram inesquecíveis pela originalidade , pelo que simbolizaram de carinho, consideração e amor.
Isso me faz sentir uma pessoa privilegiada e com amigos muito especiais.
Certa vez , ganhei de uma amiga uma lasanha. Nunca alguém me oferecera um presente assim, tão delicioso! Estive na casa dela na véspera e a vi preparar. A assadeira era enorme! E, depois da montagem, a lasanha foi embebida em leite e ficou na geladeira. No dia seguinte, fui para a casa dela degustar o presente e levar para casa o que sobrou.
E o ano que passei o dia do meu aniversário no shoping? Chegando em casa, fui ouvir os recados da secretária eletrônica. Havia uma gravação engraçadíssima! Era um coral desafinado e alegre, cantando e rindo, tudo ao mesmo tempo o "parabéns prá você". Era a minha família,que não me encontrando em casa , deixou o "presente" gravado. Foi ótmo!
Como não lembrar da amiga que mora na Praia Grande? Mudei-me de lá há dez anos. Porém, mesmo sem ter condições para se locomover até minha casa, ela jamais deixa de telefonar.
Não posso esquecer do amigo, que vive em Manaus. Conhecemo-nos há trinta anos!Trocamos muitas cartas, anos depois evoluímos para os telefonemas - no tempo em que o pulso e a assinatura não custavam o "olho da cara". Nos últimos nove anos , passamos a conversar pela internet. Porém nunca nos encontramos pessoalmente! Mesmo assim, quando está próxima a data do meu aniversário e do Natal, ele me chama e pergunta "já escolheu o livro?"
Já ganhei chá da tarde no mais bonito hotel de Santos, caldeirada no mais afamado restaurante de São Vicente.
Mas um dos mais originais presentes que ganhei, foi uma visita ao programa do Faustão, na época que ele ainda fazia o Perdidos na Noite", na TV Bandeirantes.Foi uma noite inesquecível!
E o quadro com quatro gatinhos, em uma linda moldura cor-de-rosa?
Engana-se quem imagina que ganhei uma bela pintura a óleo e que hoje vale uma fortuna. Era uma figura , provavelmente tirada de alguma folhinha antiga e que uma amiga muito querida, sabendo que adoro gatos, tirou xerox colorida, colocou em uma linda moldura cor-de-rosa e me trouxe de presente. Já nem sei mais qual era a data a ser comemorada.Mas os gatinhos estão até hoje pendurados na parede, sobre o espelho grande e a imagem continua tão nítida como quando chegou. Acho que o amor faz dessas coisas!
Não posso esquecer da bandeja envernizada por minha sobrinha que estuda em uma escola para crianças especiais.
Nem dos presentinhos dados por minha mãe: um magiclic, pois o meu já era, cabides para minhas saias, pois o que tenho já estão insificientes, aquela sandália confortável para os pés de uma professora que só sabe dar aula em pé, o bolo de fubá - ela sabe que adoro - , a torta salgada - tantas calorias, mas tão deliciosa - , a camisola branca com coraçõezinhos vermelhos, a sandália havaiana cor de laranja.
Mas não posso esquecer da amiga - Dona Lúcia - que mesmo residindo em Sorocaba, jamais esquecia de mim no aniversário, Natal ou páscoa! Havia sempre um presentinho guardado, me esperando! O último, uma linda blusa de crochê, que ainda guardo com carinho.
Muitos anos se passaram e eu por este mundo a fora,como professora itinerante, cada ano em uma escola, muitas vezes, mudando de cidade , sempre em busca de trabalho.
Certa manhã, recebo um telefonema. Não era Dona Lúcia me avisando que o "seu presentinho já está guardado".
Era um presente que se eu pudesse recusaria de todo o meu coração! Do outro lado da linha uma voz dizia que ela tinha falecido naquela manhã.
O marido, levantou-se bem cedinho, foi à cozinha fazer o café, quando voltou para o quarto, ela já não estava mais entre nós...
Foi o último presente de páscoa que ela me deu.....acompanhá-la até a sua última morada E eu fui!
Chegando lá, a família inconsolável, velava seu corpo na sala da residência, um costume muito usado antigamente, no interior. Hoje acho que já não acontece mais.
Porém, no meio daquelas pessoas , uma de suas irmãs aproximou-se de mim e disse: " Que páscoa a Lúcia nos deu!"
Silenciei.
sexta-feira, março 03, 2006
As línguas que Deus fala - Paulo Coelho
– Como vocês rezam? – perguntou o padre.
– Temos apenas uma oração – respondeu um dos astecas.
– Nós dizemos: “Deus, Tu És três, nós somos três. Tende piedade de nós.”
– Bela oração – disse o missionário.
– Mas ela não é exatamente a prece que Deus escuta. Vou lhes ensinar uma muito melhor.
O padre ensinou uma oração católica, e seguiu seu caminho de evangelização. Anos depois, já no navio que o levava de volta à Espanha, precisou passar de novo por aquela ilha. Do convés, viu os três sacerdotes na praia – e fez um aceno de despedida.
Neste momento, os três começaram a caminhar pela água, em direção a ele.
– Padre! Padre! – gritou um deles, aproximando-se do navio.
– Nos ensina de novo a oração que Deus escuta, porque não conseguimos lembrar!
– Não importa – disse o missionário, vendo o milagre. E pediu perdão a Deus, por não ter entendido antes que Ele falava todas as línguas.
A seguir, algumas destas preces:
Dhammapada (atribuída a Buda)
Melhor que, ao invés de mil palavras
Houvesse apenas uma, mas que trouxesse Paz. Melhor que, ao invés de mil versos
Houvesse apenas um, mas que mostrasse o Belo.
Melhor que, ao invés de mil canções,
Houvesse apenas uma, mas que espalhasse alegria.
Mevlana Jelaluddin Rumi, século XIII
Lá fora, além do que está certo e do que está errado, existe um campo imenso.
Nos encontraremos ali.
Profeta Mohammed, século VII
Oh Alá! Eu te consulto porque sabes tudo, e conheces mesmo aquilo que está escondido.
Se o que estou fazendo é bom para mim e para minha religião, para minha vida agora e depois, então que a tarefa seja fácil e abençoada.
Se o que estou fazendo agora é mau para mim e para minha religião, para minha vida agora e depois, mantenha-me longe desta tarefa.
Jesus de Nazaré, Mateus 7;7-8
Pedi, e receberás.
Procure, e encontrarás.
Bate, e a porta se abrirá.
Porque quem pede, recebe;
quem procura, acha;
quem bate, a porta se abre.
Prece Judaica para a Paz
Vamos à montanha do Senhor, onde poderemos caminhar com Ele.
Transformemos nossas espadas em arados, e nossas lanças em coletores de frutos.
Que nenhuma nação levante sua espada contra outra, e que jamais aprendamos a arte da guerra.
E ninguém deve temer ao seu vizinho, porque assim disse o Senhor.
Lao Tsu, China - século VI A.C.
Para haver paz no mundo, é necessário que as nações vivam em paz.
Para haver paz entre as nações, as cidades não devem se levantar uma contra a outra.
Para haver paz nas cidades, os vizinhos precisam se entender.
Para haver paz entre os vizinhos, é preciso que reine harmonia no lar.
Para haver paz em casa, é preciso encontrá-la em seu próprio coração.


