terça-feira, março 21, 2006

O kiwi e o livro





“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado; um amigo que espera”. H. Spencer

Certo dia, um amigo disse-me que kiwi é uma fruta muito rica em vitamina C, até mais do que a laranja.Por isso resolvi comprá-la, mas na feira.Pois sendo algo que não se encontra sempre, achei que devia ser muito caro.E era!
O fruto, de aparência “bílica” não me agradou. Ainda mais com aquele preço! Não comprei naquele dia nem em nenhum outro. Fui comer kiwi pela primeira vez em um restaurante, quando pedi de sobremesa uma salada de frutas.
Porém, naquela mesma semana fui a uma livraria e comprei um livro que custava vinte e cinco vezes mais!
Claro que tudo é uma questão de valores. O que é importante, não costumo olhar preço. E para mim, livro é uma paixão!
Aprendi a gostar de livros com meu pai. Ele os comprava e me fazia ler em voz alta.
Certa vez trouxe um de caligrafia, cada página um texto e um formato de letra. E mesmo aquela mais difícil, insistia para eu ler.
Quando eu tinha doze anos ele foi para a eternidade, mas deixou-me como herança um amor imenso pelas letras.
Com o passar dos anos, fui percebendo que um livro é muito mais do que papel, tinta e símbolos.Há dentro dele um universo de idéias, emoções e sensações.Ali, a imaginação não tem limites!
A obra de Kafka, com seu realismo fantástico!
E os livros de Umberto Eco? “O nome da Rosa” levou-me a uma viajem fantástica pelos corredores de sua biblioteca medieval, com tramas e assassinatos misteriosos.
As crônicas de Marcelo Gleiser - Micro Macro - um aprendizado delicioso sobre o ser humano, o conhecimento, a ciência.
Impagável o humor refinado e inteligente de Luis Fernando Veríssimo.
Portanto, um livro é uma ferramenta com a qual, através da linguagem, o ser humano encontra um caminho para dizer o que sente, pensa e imagina.
Quando compro um livro, não me importo com o preço, pois sei que os valores das informações inseridas nele valem sempre muito mais do que ele custa.
Certa vez, minha mãe veio mostrar-me uma roupinha de neném, “olha que gracinha”, disse-me ela, você usou quando era pequena!Olhei com indiferença para a peça, achei uma bobagem que ela a guardasse durante tantos anos. Aborrecida, perguntou-me “afinal, você gosta de quê?” “De livros”, respondi-lhe.
Estive na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, e diverti-me muito. Conheci pessoas cultas e inteligentes.Fiz amizade com gente interessante.
Foram oito horas de muita informação, bons papos, boa companhia, inclusive da amiga que foi comigo.
Voltei para casa com onze livros, um DVD, duas assinaturas de revistas.
Ganhei três pastas, cinco canetas, dez revistas, muitos marcadores.
Saí de lá endividada, carreguei peso, mas senti-me bem mais feliz do que no dia em que fui à feira comprar kiwi...

Nenhum comentário: