segunda-feira, maio 15, 2006

Dia das Mães sinistro



“Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil!”.

Hino Nacional do Brasil

No segundo domingo de maio comemora-se o Dia das Mães, é a data mais lucrativa para o comércio, depois do Natal.

Vejo com certa reserva essas comemorações, pois creio que não precisamos adquirir um bem material, dá-lo de presente a alguém, para dizer a essa pessoa que a amamos ou mesmo que queremos homenageá-la. Muitas vezes um beijo, um abraço, um gesto de carinho, consideração, atenção no trato diário, convivência respeitosa, pode dizer muito mais do que um presente. De qualquer forma, algumas datas encontram-se tão arraigadas no senso comum, que é melhor entrar no clima e comemorar.

Porém neste ano, o Dias das Mães, teve um gosto amargo,um sabor de sangue e de dor. O coração de muitas mães sangrou de tristeza, perplexidade e agonia ao receber como presente, o corpo sem vida de seu filho. E a pátria amada morreu de vergonha com as atitudes de alguns indivíduos, que não souberam respeitá-las como merecem.

As rebeliões iniciadas na sexta-feira, nos presídios de São Paulo e depois estendidas para outros Estados, os ataques a Bancos, Delegacias de Polícia, ônibus, supermercados, deixou claro o que alguns habitantes da “mãe gentil” escolheram para dar de presente a muitas mães, no seu dia: perda, dor, tristeza, espanto.

Em três dias de terror, mais de 80 pessoas mortas, destruição do patrimônio público e um enorme assombro daquelas genitoras que tiveram para comemorar, não o almoço familiar, a confraternização, mas a lágrima, o funeral, a ausência.

Pobre mãe! Pobre Pátria! Tão amadas e tão feridas! Amadas por aqueles que as respeitam, por aqueles que trabalham , que só têm por elas amor e consideração. Feridas, por aqueles que não sabem o que é cidadania, direitos humanos, senso de dever, discernimento, amor ao próximo e à pátria. Essas pessoas são desprovidas de tudo, falta-lhes a educação no sentido mais abrangente da palavra: educação para a cidadania, para o amor, para a vida em sociedade, enfim, para tudo.

Não tenho filhos, mas hoje meu coração também chora por estes filhos da pátria amada, tão injustamente arrancados de nosso convívio.

E, quero deixar aqui este pensamento para reflexão: “Os crimes são produzidos pela falta de cultura, pela má educação e pela viciosa organização do Estado”. Platão

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