quarta-feira, janeiro 25, 2006

Do transitório e indefinido existir


Do transitório e indefinido existir!


Sinto-me renovada!
Poderia pensar que estou sob a influência do ano novo !
Definitivamente não!
Entra ano e sai ano, o trabalho , a administração da casa, os afazeres do dia-a-dia, faz de mim a mais normal das pessoas.Porém, neste ano, comecei com um diferencial.....lembrei-me de Teresa.
Amiga, professora , trabalhávamos na periferia de uma escola, no curso noturno.
Mulher inteligente, costumava dizer que durante anos levara vida de "madame", mas agora precisava trabalhar e, não teve dificuldade para voltar a ministrar aulas.
Por uma questão de solidariedade, quem tinha carro dava carona aos outros professores, já que saíamos tarde e o bairro era distante.Teresa, me dava carona em sua velha 'brasília amarela' muito parecida com aquela cantada pelos Mamonas Assasinas, grupo musical , divertido e escrachado , que faleceu em um acidente de avião.
Certo dia, vendo-a muito triste, disse-lhe que o importante nesta vida era a gente ter projetos.E que eu, sempre tinha vários, pensados, analisados e arquivados dentro da minha cabeça, só esperando uma oportunidade de colocá-los em prática.Às vezes, um deles saía do "arquivo" mas, caso não desse certo, guardava-o para um outro momento e....iniciava outro.
Assim, eu sempre tinha um sentido para dar à minha vida, pois os projetos faziam a minha existência ter uma razão de ser.E, me levavam à frente.
Só pude perceber o quanto nossa conversa foi importante, quando a encontrei novamente alguns anos depois.Eu já estava aposentada, ela não.Era o início de um novo ano, as mesmas reuniões pedagógicas, os projetos que nem sempre se concretizam, enfim.....Só que Teresa me disse : " Eu nunca esqueci o que vc me disse , que 'o importante nesta vida era a gente ter projetos'.....e , citei vc na reunião de hoje , na escola.
Lembrar disso me fez muito bem, pois eu mesma já andava esquecida do quanto necessitamos dar um sentido à nossa existência transitória e indefinida.
Naquele momento fui importante para ela, pois disse-lhe exatamente as palavras que precisava ouvir, para seguir em frente.
Teresa já faleceu, mas lembrar de nossa conversa neste início de ano era exatamente o que eu precisava para seguir em frente...

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